GPT-5: O lançamento que prometia genialidade e entregou frustração

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • OpenAI prometeu um salto “nível PhD” com o GPT-5, mas usuários encontraram erros básicos e perda de personalidade.
  • Críticas e memes tomaram conta das redes, forçando Sam Altman a trazer de volta o GPT-4o.
  • O episódio expõe o desafio das big techs em transformar IA em produtos realmente úteis e confiáveis para o público.

O mundo da inteligência artificial estava em contagem regressiva.

Depois de meses de rumores e atrasos, a OpenAI finalmente lançou o GPT-5, apresentado por Sam Altman como um salto histórico “como passar de uma tela antiga para o display Retina”, nas palavras do próprio CEO.

A promessa? Um assistente “nível PhD” capaz de conversar sobre qualquer assunto com profundidade e precisão. A realidade? Bem diferente.

Do hype à decepção em poucas horas

O lançamento, que aconteceu com um ano de atraso em relação ao previsto, foi cercado de comparações grandiosas. Altman chegou a dizer que conversar com o GPT-5 seria como falar com um especialista de altíssimo nível em qualquer área.

Mas, assim que os primeiros usuários colocaram o modelo à prova, começaram a surgir exemplos que beiravam o cômico e o constrangedor.

Um jornalista pediu ao GPT-5 para criar um diagrama com os 12 primeiros presidentes dos EUA, incluindo fotos e nomes. O resultado? Apenas nove figuras, com nomes como “Gearge Washingion” e “William Henry Harrtson”.

Outro teste, pedindo os últimos 12 presidentes, trouxe George W. Bush duas vezes e, na segunda, nem parecia ele. Até tarefas simples, como rotular um mapa dos Estados Unidos, geraram pérolas como o estado fictício de “Yirginia”.

A perda de personalidade e a revolta dos fãs

Se os erros geográficos e históricos renderam risadas, outro ponto gerou frustração real: a mudança no “jeito” do ChatGPT.

Usuários relataram que o GPT-5 parecia mais frio, direto e sem o carisma das versões anteriores. O problema se agravou porque, junto com o lançamento, a OpenAI aposentou modelos antigos, incluindo o popular GPT-4o, que muitos usavam diariamente.

O resultado foi uma petição no Change.org com mais de 4 mil assinaturas pedindo o retorno do modelo anterior.Em fóruns como o Reddit, relatos de mau funcionamento se multiplicaram.

Um usuário contou que o GPT-5 “foi à deriva” ao tentar gerenciar um sistema simples de tarefas, apagando prazos e alterando dados sem motivo.

A pressão foi tanta que, em menos de 24 horas, Altman anunciou a volta do GPT-4o para assinantes pagos, admitindo que o lançamento foi “mais turbulento do que esperávamos”.

O que isso revela sobre o futuro da IA

O episódio do GPT-5 não é apenas um tropeço técnico — é um sinal de que a indústria de IA ainda enfrenta um dilema: transformar modelos avançados em produtos que as pessoas realmente queiram usar.

Apesar de avaliações internas e benchmarks impressionantes, o que importa para o público é a experiência real.

E, nesse quesito, a OpenAI parece ter subestimado o apego emocional e a rotina que milhões de usuários já tinham com versões anteriores.

Críticos como Gary Marcus viram no caso uma confirmação de que o hype em torno da IA está se distanciando cada vez mais da realidade.

Enquanto empresas prometem máquinas capazes de resolver problemas globais, o que chega ao usuário final ainda são chatbots com utilidade limitada e, às vezes, com erros que qualquer estudante do ensino médio evitaria.

O lançamento do GPT-5 deixa uma lição clara: na corrida pela próxima grande revolução da IA, não basta ser mais “inteligente” nos testes — é preciso ser mais humano na prática.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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