✨ Principais destaques:
- GPT‑5 Pro impressiona, mas continua sendo apenas um modelo estatístico avançado, não uma mente independente.
- Ben Goertzel, pioneiro do conceito de AGI, afirma que confundir LLMs com inteligência geral é um erro perigoso.
- O futuro da AGI exige inovação radical, muito além de simplesmente escalar modelos de linguagem.
O lançamento do GPT‑5 Pro trouxe entusiasmo e até certo receio dentro da comunidade de inteligência artificial.
A nova versão do modelo da OpenAI é capaz de respostas mais complexas, estruturadas e surpreendentes, a ponto de deixar até o próprio Sam Altman, CEO da empresa, desconfortável com algumas interações.
Mas, segundo Ben Goertzel, um dos primeiros a popularizar o termo Inteligência Artificial Geral (AGI), é preciso separar o brilho técnico da realidade: por mais impressionante que seja, o GPT‑5 Pro não chega perto de ser uma mente consciente ou criativa.
O que o GPT‑5 Pro realmente faz (e o que não faz)
Goertzel, hoje CEO da Artificial Superintelligence Alliance e fundador da SingularityNET, reconhece o valor do GPT‑5 Pro.
Ele mesmo utiliza o modelo para organizar artigos científicos, lidar com estruturas matemáticas complexas e até melhorar sua escrita.
No entanto, ele ressalta que o modelo não possui consciência, experiência ou intencionalidade. O que vemos é um sistema de associação estatística em altíssimo nível, mas ainda assim apenas padrões sendo combinados.
“Esses modelos não sabem do que estão falando. Eles não têm vivência, não têm observação direta do mundo. É pura correlação de dados”, explica Goertzel.
Essa diferença é crucial: enquanto o GPT‑5 Pro pode simular raciocínio e até parecer que “pensa”, ele não possui a base cognitiva que até mesmo um bebê humano de um ano já demonstra, a capacidade de aprender continuamente a partir da experiência.
O risco de confundir LLMs com AGI
Um dos pontos mais fortes da crítica de Goertzel é o uso indiscriminado do termo AGI. Para ele, chamar o GPT‑5 Pro de “inteligência geral” é não apenas impreciso, mas também enganoso.
O modelo é poderoso, sem dúvida, mas está preso a um paradigma: ele é treinado em larga escala e, uma vez lançado, fica congelado no tempo. Não aprende sozinho, não evolui por conta própria, não cria novos objetivos.
Enquanto isso, empresas como a OpenAI tentam equilibrar duas frentes: construir AGI e, ao mesmo tempo, vender serviços escaláveis de chatbot para bilhões de usuários.
Essa tensão, segundo Goertzel, limita a inovação e reforça a ideia de que apenas aumentar o tamanho dos modelos levará à inteligência geral, algo que ele considera ilusório.
O verdadeiro caminho para a AGI
Para Goertzel, a AGI de verdade não surgirá apenas de modelos maiores, mas de novas arquiteturas cognitivas. Ele defende sistemas capazes de:
- Aprender continuamente, sem depender de re-treinamentos massivos.
- Integrar múltiplas formas de cognição, como percepção, memória e raciocínio abstrato.
- Construir modelos internos do mundo, atualizando crenças e objetivos ao longo do tempo.
Em sua visão, o futuro da AGI passa por estruturas descentralizadas, que espalham a inteligência em redes dinâmicas, em vez de mantê-la “presa em um jarro” como acontece com os LLMs atuais.
“O caminho para a AGI não será encontrado apenas escalando os modelos de hoje. Precisamos de inovações fundamentais em como o conhecimento é ancorado na experiência e em como a aprendizagem contínua acontece”, conclui Goertzel.
