Principais destaques:
- Um gerente de produto da Meta passou a desenvolver funcionalidades usando ferramentas de programação com IA.
- Zevi Arnovitz afirma que a IA mudou completamente seu papel, aproximando-o da execução prática.
- O caso reflete uma tendência maior na indústria de tecnologia, que aposta no conceito de product builder.
Um gerente de produto da Meta está chamando atenção no setor de tecnologia ao afirmar que passou a criar e lançar funcionalidades de produto usando inteligência artificial, mesmo sem ter qualquer formação técnica em programação.
Para ele, escrever código sempre foi algo intimidador, mas ferramentas de IA mudaram completamente essa percepção.
Zevi Arnovitz compartilhou sua experiência em um episódio recente do Lenny’s Podcast, no qual descreveu o contato com programação assistida por IA como a sensação de ganhar superpoderes.
Segundo ele, a descoberta dessas ferramentas em 2024 redefiniu o que significa ser gerente de produto dentro de uma grande empresa de tecnologia.
Um fluxo de trabalho redesenhado pela inteligência artificial
Antes de entrar na Meta, Arnovitz atuou por cerca de três anos como gerente de produto na Wix. Desde que chegou à empresa, em setembro, ele reformulou completamente seu fluxo de trabalho, colocando a IA no centro de praticamente todas as etapas do desenvolvimento.
Ele utiliza ambientes de codificação assistida por IA como o Cursor, além de modelos desenvolvidos pela Anthropic e pelo Google. No dia a dia, Arnovitz usa o Claude para planejamento e organização, enquanto recorre ao Gemini para tarefas ligadas à interface do usuário.
Uma das estratégias adotadas por ele é fazer com que diferentes modelos de IA revisem o código uns dos outros, simulando uma espécie de revisão por pares automatizada. Com isso, seu papel deixou de ser apenas o de intermediário entre design e engenharia, passando a incluir a execução direta de partes do produto.
Limites claros e colaboração com engenheiros
Apesar do entusiasmo, Arnovitz reconhece que há limites importantes. Ele afirma que gerentes de produto sem base em engenharia não devem assumir projetos complexos de infraestrutura ou sistemas críticos.
A proposta é focar em funcionalidades menores, especialmente ligadas à interface, e depois entregar o código para validação de engenheiros experientes.
Para ele, o futuro aponta para um cenário em que cada vez mais profissionais se tornam builders, capazes de transformar ideias em algo funcional com o apoio da IA. Ainda assim, a colaboração com equipes técnicas continua sendo essencial.
A indústria abraça o conceito de product builder
A visão de Arnovitz não está isolada. O CEO da Figma, Dylan Field, afirmou no mesmo podcast que a IA está incentivando profissionais de produto a experimentar mais a construção prática.
O LinkedIn também adotou essa filosofia. A empresa substituiu seu tradicional programa de associate product manager por uma trilha de associate product builder. O ex-diretor de produto Tomer Cohen anunciou que os novos contratados serão treinados para programar, fazer design e atuar como PM.
Com a evolução acelerada das ferramentas de IA, cresce a expectativa de que cargos e responsabilidades tradicionais se misturem cada vez mais, criando uma nova geração de profissionais capazes de levar produtos da ideia ao lançamento com muito mais autonomia.







