Firefox acelera suas funções de IA em até 10x com novo motor nativo

Renê Fraga
4 min de leitura

✨ Principais destaques:

  • Recursos de IA no Firefox agora rodam até 10 vezes mais rápido.
  • Mozilla substituiu o antigo backend em WebAssembly por uma versão nativa em C++.
  • Melhorias já estão disponíveis no Firefox 142, com mais novidades a caminho.

A Mozilla acaba de dar um passo importante para quem acompanha a evolução da inteligência artificial dentro dos navegadores.

O Firefox, que já vinha testando recursos de IA embarcados, como agrupamento inteligente de abas e geração automática de texto alternativo (alt-text), sofria com um problema que muitos usuários notaram: a lentidão.

Agora, a equipe de engenharia da Mozilla anunciou que esses recursos estão até 10 vezes mais rápidos, graças a uma mudança profunda na forma como o navegador processa modelos de machine learning.


Por que o Firefox estava lento com IA?

Até pouco tempo atrás, o Firefox utilizava o ONNX Runtime em WebAssembly (WASM) para rodar seus modelos de IA.

O problema é que esse fluxo era pouco eficiente: os dados precisavam passar por várias etapas, pré-processamento em JavaScript, execução em WASM e depois pós-processamento de volta em JavaScript.

Esse “vai e vem” criava gargalos, especialmente na primeira execução de cada recurso, quando o navegador precisava “aquecer” o modelo.

O resultado? Experiências arrastadas, que não condiziam com a proposta de praticidade da IA embarcada.


A virada: de WASM para C++ nativo

Inspirada pelo sucesso de outras funções internas, como o sistema de tradução automática, a Mozilla decidiu migrar o backend de IA para uma implementação nativa em C++.

Essa mudança eliminou a sobrecarga do WASM e trouxe ganhos imediatos de desempenho.Os números impressionam:

  • A geração de alt-text em PDFs caiu de 3,5 segundos para apenas 350 milissegundos.
  • O agrupamento inteligente de abas, antes lento na primeira execução, agora responde de forma quase instantânea.

Esses ganhos não são apenas técnicos: eles tornam a experiência do usuário muito mais fluida, mostrando que a IA pode ser útil sem se tornar um peso para o navegador.


O que vem pela frente?

Apesar do salto de desempenho, a Mozilla admite que ainda há espaço para melhorias. Entre os próximos passos estão:

  • Aceleração por GPU, que deve trazer ganhos ainda maiores.
  • Operações multi-threaded, aproveitando melhor os processadores modernos.
  • Cache de gráficos compilados, para reduzir o tempo de inicialização dos modelos.

Por enquanto, todos os recursos de IA continuam rodando no CPU, o que explica relatos recentes de alto consumo de processamento em algumas máquinas.

Mas a tendência é que isso melhore com as próximas atualizações.E a boa notícia: se você já atualizou para o Firefox 142, está usufruindo dessas melhorias sem precisar fazer nada.

A Mozilla está liberando gradualmente o novo backend para outros recursos baseados em Transformers.js ao longo do ano.


Privacidade e eficiência: a aposta da Mozilla

Seja você fã ou crítico da presença de IA no navegador, um ponto é inegável: a Mozilla está apostando em IA local, processada no próprio dispositivo.

O que significa mais privacidade, já que os dados não precisam ser enviados para servidores externos, e mais controle para o usuário.

No fim das contas, se a IA vai estar presente, que seja rápida, eficiente e respeitosa com a privacidade. E é exatamente isso que o Firefox está tentando entregar.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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