Destaques Principais:
- Precisão impressionante: o algoritmo ECG-AI da Anumana alcançou desempenho de 0,944 na métrica de área sob a curva (AUC), com sensibilidade e especificidade acima de 85%.
- Prevenção antes da doença: pacientes com sinais detectados pela IA tinham até 20 vezes mais chances de desenvolver insuficiência cardíaca em três anos.
- Aprovado e reconhecido: o sistema recebeu aprovação da FDA e já é elegível para reembolso médico nos EUA.
Um olhar antecipado sobre o coração
Imagine um simples eletrocardiograma revelando riscos de insuficiência cardíaca que só se manifestariam anos mais tarde.
Foi exatamente isso que demonstrou um estudo apresentado na Sessão Científica da American Heart Association 2025, em Nova Orleans, e publicado simultaneamente no Journal of the American College of Cardiology.
A pesquisa mostrou que, ao combinar o algoritmo ECG-AI da Anumana com a já conhecida equação clínica PREVENT-HF, torna-se possível reclassificar até 12,5% dos pacientes em categorias de alto risco que, até então, passavam despercebidas pelos métodos tradicionais.
Em outras palavras: a IA está enxergando onde o olho humano (e até a medicina convencional) ainda não consegue ver. Pacientes identificados com anomalias sutis no ECG-AI tinham uma probabilidade 20 vezes maior de desenvolver insuficiência cardíaca nos três anos seguintes em comparação com aqueles com resultados normais.
Grandes estudos, grandes descobertas
O poder dessa tecnologia foi testado em mais de 14 mil pessoas, provenientes de três projetos históricos da pesquisa cardiovascular: o Framingham Heart Study, o Multi-Ethnic Study of Atherosclerosis (MESA) e o Cardiovascular Health Study (CHS).
Segundo o cardiologista Dr. Akshay S. Desai, do Brigham and Women’s Hospital e líder do estudo, o ECG-AI consegue reconhecer “mudanças elétricas sutis” que indicam o início da disfunção cardíaca antes de qualquer sinal clínico.
Isso representa uma mudança de paradigma:
“O potencial do ECG-IA é permitir que médicos intervenham anos antes do aparecimento dos sintomas, oferecendo terapias preventivas e reduzindo a mortalidade”, reforçou Desai.
O projeto teve apoio do HeartShare/AMP Heart Failure Program, ligado ao National Heart, Lung, and Blood Institute, e utilizou a infraestrutura computacional do BioData Catalyst — uma plataforma voltada a estudos biomédicos em larga escala.
Tecnologia validada e aprovada
O algoritmo ECG-AI LEF da Anumana, aprovado pela FDA em janeiro de 2025, demonstra uma precisão excepcional:
- AUC: 0,944
- Sensibilidade: 90,2%
- Especificidade: 85,1%
Ele analisa ECGs padrão de 12 derivações e identifica microvariações nos sinais elétricos do coração — sinais imperceptíveis para humanos, mas reveladores para a IA.
E o impacto disso não é pequeno: só nos Estados Unidos, a insuficiência cardíaca afeta 6,7 milhões de pessoas, número que deve chegar a 8,7 milhões até 2030. Em 2022, foram mais de 425 mil mortes decorrentes dessa condição — quase metade das mortes cardiovasculares do país.
A Anumana, criada pela parceria entre a nference e a Mayo Clinic em 2021, aposta que essa tecnologia marcará um ponto de virada. Segundo Simos Kedikoglou, MD, presidente e COO da empresa:
“Estamos nos aproximando de um futuro em que a IA não apenas detecta doenças, mas as antecipa — permitindo que a medicina se torne verdadeiramente preventiva.”
💡 O que vemos aqui é mais do que um avanço técnico — é o prenúncio de uma nova era da medicina. Uma em que algoritmos treinados com milhões de ecocardiogramas podem salvar vidas antes mesmo que o primeiro sintoma apareça.
IA e cardiologia, juntas, estão reescrevendo o conceito de “check-up”. O diagnóstico do futuro começa agora — e o coração humano talvez nunca mais seja o mesmo.
