Ex-Microsoft: A verdadeira ameaça ao SEO não é a IA do Google

Renê Fraga
5 min de leitura

🧠 Principais destaques:

  • A ameaça real ao SEO não é o Google ou o ChatGPT, mas sim a ascensão da “Agentic AI” — sistemas autônomos que executam tarefas como membros virtuais de uma equipe.
  • Profissionais de conteúdo precisarão se reinventar: de escritores para instrutores de IA, gerenciando múltiplos agentes ao mesmo tempo.
  • Funções estratégicas continuarão seguras, enquanto tarefas repetitivas serão rapidamente automatizadas.

Enquanto muitos profissionais de marketing digital discutem se o futuro será dominado por SEO, GEO ou AEO, e se o Google ou o ChatGPT vão substituir a busca tradicional, uma transformação silenciosa e muito mais profunda já está em andamento.

Duane Forrester, veterano com 25 anos de experiência e ex-líder de SEO na Microsoft, alerta: o que vai realmente mudar o jogo não é a substituição dos buscadores, mas a chegada da “Agentic AI”, inteligências artificiais capazes de agir como membros autônomos de uma equipe, executando tarefas complexas sem supervisão constante.

Forrester, que ajudou a lançar o Bing Webmaster Tools e participou da criação do Schema.org, agora dedica seu foco a entender como a IA está redesenhando o papel dos profissionais de SEO e marketing digital.

A ascensão da Agentic AI: Quando a IA vira membro da equipe

Segundo Duane, estamos entrando em uma era em que profissionais poderão delegar processos inteiros para agentes de IA, liberando tempo para atividades de maior valor estratégico.

Ele prevê que, em menos de seis meses, será comum que especialistas configurem agentes para executar tarefas enquanto eles se concentram em análise, relacionamento com clientes e decisões de alto impacto.

“Se eu posso criar um processo e deixá-lo nas mãos de agentes, meu tempo passa a ser usado para o que realmente importa — seja fechar um contrato, seja criar uma estratégia de vendas”, explica Forrester.

Mas ele alerta: o sucesso nesse novo cenário vai depender de habilidades de gestão de pessoas ou melhor, de gestão de sistemas inteligentes.

“Você precisa pensar neles não como humanos, mas como sistemas que precisam de orientação”, afirma.

Escritores, preparem-se: O novo papel é ser Instrutor de IA

Um dos pontos mais provocativos levantados por Duane é que o trabalho de criação de conteúdo está prestes a mudar radicalmente.

Se antes o escritor passava horas pesquisando e redigindo textos, agora ele poderá brifar dezenas de agentes de IA em minutos, recebendo todo o material pronto para edição, ajuste de tom e verificação de fatos.

“O escritor do futuro será um editor estratégico, um ‘humano no loop’ que garante que o conteúdo tenha precisão, voz de marca e relevância”, diz Duane.

Paradoxalmente, isso significa que os escritores mais experientes e adaptáveis serão ainda mais valorizados, desde que saibam integrar a IA ao seu fluxo de trabalho.

Quem está seguro e quem está em risco

De acordo com Forrester, funções repetitivas e operacionais serão as primeiras a serem automatizadas.

Já cargos estratégicos, como o de CMO (Chief Marketing Officer), tendem a permanecer seguros, pois exigem experiência, visão de mercado e capacidade de interpretar comportamentos humanos, algo que a IA ainda não consegue replicar.

“O CMO não sobrevive por ser sênior, mas porque pensa estrategicamente: como alinhar produto e necessidade do cliente, como gerar receita a partir de tendências de consumo”, explica.

O recado é claro: quem não se adaptar, corre o risco de ficar para trás. Empresas precisam atualizar descrições de cargos e investir em treinamento agora, para que suas equipes estejam preparadas para o cenário de dois ou três anos à frente.


No fim das contas, a mensagem de Duane Forrester é otimista para quem está disposto a mudar: a IA não precisa ser uma ameaça, mas sim um multiplicador de produtividade.

O futuro pertencerá a quem souber instruir, guiar e otimizar agentes de IA e não a quem tentar competir com eles.

“Não é só sobre sobreviver à disrupção”, conclui Duane. “É sobre se posicionar para se beneficiar dela.”

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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