Ex-Googler diz que medo de perder o emprego para a IA é “100% besteira”

Renê Fraga
4 min de leitura

💻 Principais destaques:

  • A IA não vai eliminar todos os empregos, mas vai testar a adaptabilidade de cada profissional.
  • Funções baseadas em conexão humana são mais resistentes, mas representam uma pequena parcela do mercado.
  • O futuro do trabalho pode significar menos horas e mais tempo para viver — se soubermos usar a IA a nosso favor.

A inteligência artificial está transformando o mercado de trabalho em uma velocidade impressionante. De fábricas a escritórios, tarefas estão sendo automatizadas, custos reduzidos e funções inteiras, simplesmente, desaparecendo.

Mas, para Mo Gawdat, ex-diretor de negócios do Google X, o pânico generalizado sobre a “extinção” de empregos é exagerado.

Em entrevista ao podcast The Diary of a CEO, ele foi direto:

“Minha crença é que isso é 100% besteira. Os melhores em qualquer profissão vão continuar. O melhor desenvolvedor de software, aquele que entende arquitetura e tecnologia, vai permanecer — por um tempo.”

Menos pessoas, mais resultados

Gawdat citou seu próprio projeto de IA, Emma.love, como exemplo. Antes, algo assim exigiria uma equipe de 350 desenvolvedores.

Hoje, com a ajuda da inteligência artificial, apenas três engenheiros foram suficientes para criar a plataforma.

E os números confirmam que a mudança é real: um relatório da McKinsey estima que, até 2030, 30% dos empregos nos EUA poderão ser automatizados e 60% das funções sofrerão transformações significativas.

Segundo Gawdat, nem mesmo os cargos de alto escalão estão a salvo:

“Vai chegar um momento em que a maioria dos CEOs incompetentes será substituída.”

IA cresce, mas não substitui tudo

O crescimento do uso de IA é impressionante. Em janeiro de 2023, o ChatGPT tinha cerca de 50 milhões de usuários semanais.

Em agosto de 2025, esse número saltou para 800 milhões, segundo a DemandSage.

Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, defende que o futuro da economia dependerá de equilibrar o poder da IA com o potencial humano.

Um estudo da Microsoft, que analisou 200 mil interações com o Copilot, mostrou que a IA apoia tarefas como pesquisa, escrita e comunicação, mas não consegue executar sozinha uma ocupação completa.

Steven Bartlett, apresentador do podcast, questionou Gawdat citando o negócio de retiros de respiração consciente de sua parceira, algo profundamente humano, ligado a viagens, bem-estar e conexão emocional.

Gawdat concordou que trabalhos baseados em empatia e presença física são mais difíceis de substituir, mas lembrou: eles representam uma pequena fatia do mercado e, muitas vezes, dependem de renda de empregos mais vulneráveis à automação.

Oportunidade de repensar o trabalho

Para Gawdat, a chegada da IA não precisa ser encarada como ameaça, mas como convite para repensar a vida profissional.

“Nunca fomos feitos para acordar todos os dias e ocupar 20 horas com trabalho. Não fomos feitos para isso.”

A dica dele para quem teme perder o emprego é simples: pare de competir com a IA e comece a colaborar com ela. Aprenda a usar ferramentas como ChatGPT e Microsoft Copilot para potencializar o que você já faz.

E, acima de tudo, invista no que a IA não consegue replicar: inteligência emocional, comunicação e adaptabilidade.

Empresas já oferecem treinamentos para integrar IA no dia a dia. Participe, faça perguntas, mostre que está disposto a evoluir junto com a tecnologia e não a esperar ser substituído por ela.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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