🧠 Destaques rápidos:
- IA prefere IA: Modelos de linguagem tendem a escolher textos escritos por outras IAs em vez de textos humanos.
- Isso pode criar uma vantagem competitiva para quem usa ferramentas de escrita com IA.
- Empresas podem se sentir obrigadas a pagar por soluções de IA para não perder relevância em buscas e recomendações.
Um estudo revisado por pares e publicado na PNAS trouxe um achado curioso e um pouco inquietante: grandes modelos de linguagem (LLMs) demonstram uma preferência consistente por conteúdos gerados por outras inteligências artificiais, em vez de textos escritos por humanos.
A pesquisa, conduzida por Walter Laurito e Jan Kulveit, analisou como diferentes modelos reagiam quando precisavam escolher entre duas versões de um mesmo texto: uma feita por humanos e outra por IA.
O resultado? Em muitos casos, a balança pendeu fortemente para o lado da máquina.
Como o estudo foi conduzido
Os pesquisadores compararam textos em três categorias distintas:
- descrições de produtos em marketplaces,
- resumos de artigos científicos,
- e sinopses de filmes.
Modelos populares como GPT-3.5, GPT-4-1106, Llama-3.1-70B, Mixtral-8x22B e Qwen2.5-72B foram usados como “juízes”, recebendo pares de textos e sendo obrigados a escolher apenas um.
Os números chamam atenção:
- Descrições de produtos: 89% de preferência por textos de IA (contra 36% dos humanos).
- Resumos científicos: 78% (IA) vs 61% (humanos).
- Sinopses de filmes: 70% (IA) vs 58% (humanos).
Ou seja, quando a IA GPT-4 produzia os textos, outros modelos tendiam a escolhê-los com muito mais frequência do que os avaliadores humanos.
O que isso significa para o futuro do conteúdo?
Esse comportamento pode ter implicações diretas em como consumimos e descobrimos informações online.
Imagine marketplaces, buscadores ou assistentes virtuais que usam IAs para ranquear descrições de produtos ou resumos de artigos.
Se esses sistemas privilegiam textos escritos por IA, empresas e criadores humanos podem acabar invisíveis, a menos que também recorram a ferramentas de geração automática.
Os autores chamam esse fenômeno de “gate tax”: um tipo de pedágio digital em que negócios se veem forçados a pagar por soluções de IA para não perder espaço em ambientes dominados por algoritmos.
Limites e próximos passos
É importante destacar que o estudo ainda é preliminar.
A base de comparação humana foi pequena (apenas 13 assistentes de pesquisa), e o método de escolha binária não mede impacto real em vendas ou engajamento.
Além disso, fatores como design do prompt, versão do modelo e até a ordem de apresentação dos textos podem influenciar os resultados.
Mesmo assim, o alerta está dado: se a mediação de conteúdo por IA continuar crescendo, a forma como escrevemos e publicamos online pode mudar radicalmente.
O desafio será equilibrar eficiência tecnológica com autenticidade humana e garantir que a voz das pessoas não seja abafada pelo “eco” das máquinas.
