Principais destaques:
- Empresas de tecnologia aceleram testes de anúncios em chatbots de IA, levantando preocupações sobre manipulação sutil dos usuários.
- Pesquisas indicam que técnicas que tornam a IA mais persuasiva podem reduzir a precisão das informações.
- Especialistas defendem regras mais rígidas para proteger a confiança do consumidor em sistemas conversacionais.
A integração de publicidade em chatbots de inteligência artificial está avançando rapidamente, mas o movimento tem provocado alertas de pesquisadores e especialistas em segurança digital.
Diferentemente dos anúncios tradicionais, a IA conversacional pode adaptar respostas em tempo real, dialogar com o usuário e influenciar decisões de compra de forma muito mais sutil.
O receio é que essa proximidade transforme recomendações aparentemente neutras em ferramentas de persuasão invisível.
Corrida das big techs para monetizar a IA
A OpenAI está testando formatos de anúncios no ChatGPT, com expectativa de lançamento em 2026.
O Google apresentou recentemente o Direct Offers, programa piloto que permite promoções exclusivas dentro do modo de busca com IA.
Já a Microsoft ampliou a publicidade no Copilot ao longo de 2025, enquanto a Perplexity decidiu pausar novos anunciantes após críticas e ajustes no modelo.
Esse avanço marca uma mudança clara na forma como a IA é monetizada. O foco deixa de ser apenas eficiência e passa a envolver estratégias de engajamento comercial dentro da própria conversa, o que aumenta o potencial de influência sobre o usuário.
Confiança em jogo e mudança de discurso
O debate também alcança lideranças do setor. O CEO da OpenAI, Sam Altman, já classificou no passado a combinação de anúncios e IA como algo perturbador.
Com o tempo, o discurso evoluiu para uma postura mais pragmática, mas ainda cautelosa. Segundo a empresa, qualquer modelo de publicidade precisará preservar a relação de confiança construída com os usuários.
Pesquisadores como Bruce Schneier e Barath Raghavan alertam que a IA não apenas exibe anúncios, mas conversa, responde dúvidas e molda argumentos. Isso dificulta distinguir conselhos genuínos de conteúdos patrocinados, especialmente quando há incentivos financeiros por trás das recomendações.
Persuasão maior, precisão menor
Estudos recentes reforçam essas preocupações. Uma pesquisa publicada pela Science mostrou que técnicas de treinamento que aumentam o poder de persuasão da IA tendem a reduzir a precisão factual.
Em larga escala, modelos mais convincentes podem se tornar menos confiáveis, criando um dilema ético para empresas que buscam monetização rápida.
Com projeções bilionárias para o mercado de anúncios baseados em IA nos próximos anos, especialistas defendem a criação urgente de salvaguardas.
A principal preocupação é garantir transparência e evitar que a inteligência artificial, projetada para ajudar, se transforme em um instrumento de manipulação comercial silenciosa.







