Principais destaques:
- Empresas estão readmitindo profissionais que haviam sido demitidos, mostrando que a IA ainda não substitui humanos como muitos imaginaram.
- Custos e complexidades de implementação da inteligência artificial estão levando líderes corporativos a repensar suas estratégias.
- Pesquisas revelam que 95% das organizações ainda não viram retorno financeiro real sobre seus investimentos em IA.
Nos últimos meses, um fenômeno curioso vem sendo detectado no mercado de trabalho global: o retorno de funcionários que haviam sido dispensados no auge da “hype” da inteligência artificial.
Segundo novos dados da empresa de análise de força de trabalho Visier, divulgados à Axios, companhias ao redor do mundo estão, em silêncio, chamando de volta antigos colaboradores e isso diz muito sobre o momento atual da IA corporativa.
A volta dos que não foram: por que empresas estão readmitindo
O levantamento da Visier analisou 2,4 milhões de funcionários em 142 empresas internacionais e descobriu que cerca de 5,3% dos profissionais demitidos acabam sendo recontratados pela mesma organização.
Embora esse número tenha se mantido estável por anos, ele começa a subir novamente refletindo o choque entre as expectativas e a realidade da automação.
A principal conclusão: a IA, por enquanto, não está substituindo empregos inteiros, mas apenas partes de processos. Isso deixa as empresas em um dilema: entre reduzir custos com automação e manter a expertise humana essencial para fazer essas tecnologias funcionarem de fato.
Andrea Derler, pesquisadora principal da Visier, descreve a situação com clareza: “A inteligência artificial serviu como uma justificativa conveniente para cortes, mas ainda não é totalmente uma justificativa real.”
O custo invisível da automação
A transformação digital baseada em IA exige um investimento alto em infraestrutura — desde hardware e sistemas de dados até segurança e capacitação interna.
Esses custos, na prática, acabam sendo muito maiores do que o planejado inicialmente.
Muitos executivos, segundo Derler, simplesmente não tiveram tempo de avaliar o retorno real dessas iniciativas.
O resultado? Gestores estão concluindo que readmitir profissionais experientes pode ser mais eficiente e barato do que insistir em automatizações complexas e imaturas.
Esse raciocínio é reforçado por pesquisas do MIT, que apontam que 95% das organizações ainda não obtiveram ganhos financeiros concretos com o uso da IA.
Steve Sosnick, estrategista da Interactive Brokers, resume: “Talvez nem todo esse dinheiro esteja sendo gasto de maneira inteligente.”
O dilema das demissões: economia ilusória
Além disso, novas análises mostram que cortar pessoal pode ser uma economia apenas aparente.
A plataforma Orgvue, especializada em planejamento de força de trabalho, estima que as empresas gastem US$ 1,27 para cada US$ 1 economizado em demissões, devido a custos indiretos como rescisões, seguros e perda de produtividade.
O cenário aponta para uma contradição comum: decisões tomadas para agradar investidores no curto prazo podem criar problemas estratégicos no longo prazo.
Ao tentar simplificar as operações por meio da IA, muitas companhias descobriram que o custo de substituir o humano ainda é, ironicamente, humano demais.
E, no fim, as mesmas organizações que abriram mão do talento agora correm para tê-lo de volta em um movimento que revela não apenas a limitação das máquinas, mas também a força da experiência humana no centro da revolução tecnológica.
