Empresas correm para adotar IA, mas poucas sabem o que fazer com ela

Renê Fraga
5 min de leitura

Principais destaques:

  • 71% das empresas no mundo estão acelerando a adoção de IA, mas apenas 22% têm uma estratégia clara para aplicá-la de forma eficaz.
  • A lacuna entre ambição e execução cresce: poucas empresas estão realmente colhendo resultados concretos da tecnologia.
  • Diferenças regionais marcantes mostram a Ásia-Pacífico na liderança da corrida pela IA, enquanto a América do Norte perde ritmo.

Um novo levantamento da Economist Impact, encomendado pela Kinaxis e publicado em 10 de novembro, revelou um retrato curioso e preocupante da relação entre empresas e inteligência artificial (IA) em 2025.

Segundo o estudo, a maioria das organizações está avançando rapidamente na implementação de IA, pressionada por um cenário de inflação crescente, tarifas comerciais e instabilidade geopolítica.

Na prática, 97% das empresas internacionais já estão experimentando alguma forma de IA. No entanto, quando o assunto é uso estratégico e resultados concretos, o entusiasmo rapidamente se transforma em frustração: apenas 20% conseguem tomar decisões em tempo real com base em IA, e 22% contam com uma estratégia de adoção estruturada.

O contraste é evidente — e traz uma lição importante sobre o modo como o mundo corporativo encara a inovação tecnológica.


Ambição sem Estrutura: O Descompasso da Implementação

O estudo mostrou que 71% das organizações aceleraram a implementação de IA em resposta às tensões econômicas globais. Porém, poucas estão conseguindo converter essa pressa em valor real.

Enquanto 52% das empresas afirmam ter integração total para análise preditiva, menos de 15% utilizam IA para monitoramento de fornecedores, detecção de anomalias ou mapeamento geopolítico, justamente as áreas de maior vulnerabilidade no cenário atual.

Essa desconexão reflete um problema mais profundo: falta de confiança interna e desalinhamento de expectativas.

Dois terços dos executivos C-level esperam ver retornos financeiros da IA em menos de um ano, mas menos da metade dos gestores intermediários compartilha desse otimismo.

Como sintetizou Oliver Sawbridge, gerente sênior de comércio e geopolítica da Economist Impact:

“Os dados mostram que a ambição superou a prontidão. As empresas estão adotando IA para enfrentar crises, mas ainda carecem de dados, sistemas e processos sólidos.”


Diferenças Regionais e Novos Desafios

O ritmo da transformação varia fortemente pelo globo.

Empresas da Ásia-Pacífico lideram a aceleração, com 81% relatando avanços rápidos, seguidas de perto pela Europa (78%). Já a América do Norte aparece atrás, com 57%.

Essa desigualdade reflete também as prioridades econômicas regionais. Europa e Ásia estão aumentando investimentos em IA para contornar gargalos produtivos e riscos comerciais, enquanto empresas norte-americanas se mostram mais cautelosas.

No pano de fundo, a pressão financeira cresce: 79% das companhias já repassaram custos mais altos aos consumidores, e mais de 75% enfrentam escassez de componentes essenciais.

Pequenas e médias empresas, especialmente, estão sofrendo o impacto de tarifas que quase dobraram em apenas seis meses de 6,5% para 11,4%, conforme dados do Federal Reserve.

E o futuro?

Apenas menos de 10% das empresas começaram a explorar o campo emergente da IA agêntica — sistemas autônomos com capacidade de tomar decisões por conta própria. É provável que esse seja o próximo salto evolutivo da automação corporativa.


💡 O estudo da Economist Impact cumpre um papel importante: alertar o mundo empresarial de que correr não é o mesmo que evoluir.

A pressa em adotar IA, sem uma estratégia bem definida, está criando um cenário onde o potencial tecnológico não se converte em ganhos práticos, uma corrida que, para muitas empresas, pode acabar em fadiga antes da chegada à linha de chegada.

A Kinaxis e a Economist Impact discutirão esses resultados mais a fundo em um webinar no próximo dia 20 de novembro, explorando caminhos possíveis para transformar a pressa em propósito.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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