Elon Musk quer transformar a Tesla em sua própria produtora de chips de IA

Renê Fraga
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Principais destaques:

  • Elon Musk quer que a Tesla construa sua própria “Terra Fab”: uma megafábrica de chips de IA sem precedentes.
  • O plano marca uma ruptura radical com a prática tradicional da indústria de depender de fundições externas como TSMC e Samsung.
  • A Tesla pretende usar esses chips para impulsionar seus robôs Optimus e veículos autônomos, mirando uma nova era de autoeficiência tecnológica.

Um anúncio que ecoou na indústria global

Durante a assembleia anual de acionistas da Tesla, realizada no Texas, Elon Musk surpreendeu investidores e analistas ao revelar que a empresa poderá construir uma “Terra Fab”, uma planta de fabricação de semicondutores em escala colossal.

O motivo? A crescente demanda por chips personalizados que alimentam os veículos autônomos e os robôs humanoides da marca. Musk foi direto: os fornecedores atuais não conseguem acompanhar o ritmo que a Tesla precisa para seus planos de inteligência artificial.

O anúncio veio acompanhado de outro marco: os acionistas aprovaram o pacote de remuneração de US$ 1 trilhão para Musk, consolidando-o como um dos empresários mais influentes, e controversos, do mundo da tecnologia.


Rompendo com os paradigmas da indústria

A decisão representa uma ruptura gigantesca com o modelo tradicional. Hoje, companhias como a TSMC, Samsung e Intel são responsáveis pela quase totalidade da fabricação de chips de alta complexidade.

Mas Musk quer quebrar essa dependência. Ele explicou que a “Terra Fab” começaria produzindo 100.000 wafers por mês, mas poderia escalar para 1 milhão, um número equivalente a cerca de 70% da produção mensal da TSMC.

A ambição vem acompanhada de um desafio financeiro impressionante. Estimativas indicam que o custo para erguer uma fábrica desse porte pode variar entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões. Para efeito de comparação, o projeto de expansão da TSMC no Arizona já ultrapassa US$ 165 bilhões.

Dentro desse contexto, Musk também apresentou o chip AI5, projetado pela própria Tesla. Ele promete consumir apenas um terço da energia do chip Blackwell (da Nvidia), mantendo desempenho similar — e com menos de 10% do custo.

Em vez de ser multitarefa, o AI5 será desenhado sob medida para o ecossistema de IA da Tesla, o que pode gerar uma vantagem competitiva duradoura sobre outras empresas.


Parcerias e o próximo salto tecnológico

Embora a Tesla ainda trabalhe com a Samsung e a TSMC para suprir suas necessidades atuais, Musk deu a entender que pode buscar uma colaboração inusitada: a Intel.

“Talvez façamos algo com a Intel”, disse o bilionário aos acionistas — uma declaração que bastou para impulsionar as ações da empresa em 4% após o expediente.

Os primeiros chips AI5 deverão ser fabricados em unidades no Texas (Samsung) e no Arizona (TSMC), com produção limitada prevista para 2026 e fabricação em massa em 2027.

Em paralelo, a Tesla já trabalha no sucessor, o AI6, que deve dobrar o desempenho e começar a ser produzido em larga escala por volta de 2028.

Esses chips serão fundamentais para projetos ambiciosos como o Cybercab, o novo veículo autônomo da Tesla que deve iniciar a produção em abril de 2026, e o Optimus, o robô humanoide que Musk acredita poder “eliminar a pobreza” e multiplicar a economia global “por um fator de 10 ou mais”.


💡 A “Terra Fab” é mais do que uma fábrica. É o símbolo da busca de Musk por independência tecnológica completa, um passo ousado que mistura ambição industrial, inovação em IA e o desejo de redesenhar o equilíbrio global da manufatura de chips.

Se der certo, pode colocar a Tesla no centro do mapa não apenas dos carros elétricos, mas da própria revolução da inteligência artificial.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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