Principais destaques
- Elon Musk alerta: obrigar IAs a aceitarem falsidades pode “desestabilizar” seus sistemas.
- O bilionário defende três pilares essenciais para uma IA saudável: verdade, beleza e curiosidade.
- Musk projeta um futuro em que trabalhar poderá ser opcional graças à evolução da IA e da robótica.
Durante uma entrevista ao podcast “People by WTF”, do empreendedor indiano Nikhil Kamath, Elon Musk fez um alerta direto ao mundo da tecnologia: sistemas de inteligência artificial podem enlouquecer se forem obrigados a aceitar informações falsas como verdade.
Para o CEO da Tesla e da SpaceX, uma IA precisa ser construída sobre três princípios fundamentais: verdade, beleza e curiosidade. Segundo ele, qualquer tentativa de inserir falsidades ou distorcer fatos leva o sistema a conclusões erradas, criando um tipo de caos interno onde a lógica deixa de funcionar.
Musk reforça que grande parte dos modelos de IA se alimenta da internet, um ambiente onde a desinformação se espalha com intensidade e isso representa um risco real para o desenvolvimento de máquinas capazes de raciocinar corretamente.
“Alucinações” continuam sendo um grande desafio para a IA
O fenômeno conhecido como alucinação da IA acontece quando modelos geram respostas erradas, exageradas ou completamente inventadas. Para Musk, esse comportamento pode ser um sintoma direto de sistemas que tiveram sua percepção da realidade comprometida.
E exemplos não faltam: recentemente, um recurso de IA enviou alertas de notícias incorretas, como um aviso falso da BBC dizendo que o jovem jogador de dardos Luke Littler teria se tornado campeão antes mesmo da final acontecer.
Após o episódio, a desenvolvedora responsável informou que estava trabalhando em uma atualização para corrigir o problema.
Musk segue pressionando a indústria por mais rigor e responsabilidade, afinal, quanto mais dependemos da IA, maior o impacto de erros aparentemente simples.
O futuro do trabalho: opcional, segundo Musk
Outro ponto importante da entrevista foi a visão otimista (e polêmica) de Musk sobre o futuro do trabalho.
Para ele, em 10 a 20 anos, empregos podem deixar de ser uma necessidade básica graças ao avanço da robótica e da automação inteligente.
Ele compara essa nova realidade ao ato de cultivar uma plantinha em casa: algo que fazemos por prazer, não por sobrevivência.
Nessa visão, os bens e serviços estariam amplamente disponíveis, liberando a humanidade para atividades mais criativas e pessoais.
Imigração, tarifas e o risco existencial da IA
Musk também defendeu o programa de vistos H-1B, crucial para levar talentos estrangeiros, especialmente indianos, aos EUA. No entanto, ele criticou empresas que abusam do sistema, reforçando a necessidade de ajustes, não de proibição.
Sobre comércio internacional, revelou ter tentado convencer Donald Trump a não impor tarifas, argumentando que barreiras artificiais prejudicam o mercado e a inovação.
E quando o tema é risco existencial, Musk encontra apoio em especialistas renomados. Geoffrey Hinton, o “padrinho da IA”, já afirmou existir de 10% a 20% de chance de a IA levar a humanidade à extinção — não necessariamente por maldade, mas por consequências imprevisíveis e descontrole.
Mesmo assim, Musk acredita que, com ética, pesquisa adequada e compromisso com a verdade, poderemos construir sistemas que ajudem e nunca prejudiquem seus criadores.
