Elon Musk acusa Apple e OpenAI de “travar” o mercado de IA em novo processo

Renê Fraga
5 min de leitura

✨ Principais destaques:

  • xAI acusa Apple e OpenAI de práticas monopolistas que estariam sufocando a concorrência no mercado de inteligência artificial.
  • Musk pede bilhões em indenização, alegando que seus aplicativos, como o Grok, são prejudicados nas classificações da App Store.
  • O processo pode se tornar um marco histórico, definindo como a justiça dos EUA vai tratar disputas antitruste envolvendo IA.

A batalha pelo domínio da inteligência artificial acaba de ganhar um novo capítulo explosivo.

A startup xAI, fundada por Elon Musk, entrou com um processo contra Apple e OpenAI em um tribunal federal no Texas, acusando as duas gigantes de conspirarem para limitar a concorrência no setor de IA.

Segundo a ação, Apple e OpenAI teriam firmado um acordo que não apenas fortalece o monopólio da OpenAI, mas também impede que alternativas como o Grok, chatbot da xAI, tenham visibilidade justa na App Store.

Para Musk, trata-se de uma jogada que sufoca a inovação e cria um ambiente em que apenas uma empresa dita as regras.

O coração da disputa: Apple, OpenAI e a App Store

O ponto central da acusação é a integração do ChatGPT diretamente nos sistemas da Apple, como iPhones, iPads e Macs.

Para Musk, esse movimento não é apenas uma parceria estratégica, mas sim uma barreira artificial que impede que outros aplicativos de IA, como o Grok, recebam destaque.

Em suas redes sociais, Musk foi direto: “Um milhão de avaliações com média 4,9 para o Grok e, ainda assim, a Apple se recusa a listá-lo em qualquer ranking.”

A xAI afirma que, sem esse acordo exclusivo, a Apple teria mais motivos para dar visibilidade a concorrentes.

Por isso, Musk pede indenizações bilionárias e acusa as empresas de práticas que lembram os grandes casos antitruste da história da tecnologia.

Especialistas: processo vai definir o que é “mercado de IA”

Juristas especializados em direito da concorrência afirmam que este processo pode ser o primeiro grande teste para definir o que é, de fato, o “mercado de IA”.

Até agora, não existe consenso legal sobre como enquadrar esse setor em disputas antitruste.

Christine Bartholomew, professora de Direito na Universidade de Buffalo, comparou o caso a um “canário na mina de carvão”: um alerta precoce de como os tribunais vão lidar com a combinação entre monopólios digitais e inteligência artificial.

Por outro lado, a Apple pode argumentar que sua parceria com a OpenAI é apenas uma decisão de negócios em um ambiente competitivo e que não tem obrigação de promover rivais.

Além disso, pode levantar questões de segurança e integração técnica como justificativa para manter o ChatGPT como solução padrão.

O que está em jogo para o futuro da IA

A disputa não é apenas sobre rankings de aplicativos. Ela pode redesenhar as regras do jogo para toda a indústria de inteligência artificial.

Se Musk vencer, abre-se espaço para que novas startups tenham mais chances de competir em pé de igualdade. Se perder, a consolidação de grandes players como Apple, Microsoft e OpenAI pode se intensificar ainda mais.

Vale lembrar que Musk já está em outra batalha judicial contra a OpenAI e Sam Altman, questionando a transformação da empresa de uma organização sem fins lucrativos para um negócio bilionário.

Enquanto isso, a xAI segue expandindo: Musk comprou a rede social X por US$ 33 bilhões para reforçar o treinamento de seus modelos e já integrou o Grok em veículos da Tesla.

O resultado desse processo pode não apenas afetar a trajetória da xAI, mas também definir como governos e tribunais vão regular a inteligência artificial nos próximos anos.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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