🎬 Principais destaques:
- Disney enfrenta dificuldades internas para integrar IA às suas produções, com projetos cancelados por preocupações legais e sindicais.
- Tentativas de clonar digitalmente atores como Dwayne Johnson acabaram engavetadas por impasses contratuais.
- Ao mesmo tempo em que tenta usar IA, a empresa processa startups por uso indevido de sua propriedade intelectual.
Enquanto muitos temem que a inteligência artificial vá dominar Hollywood e substituir profissionais humanos, a realidade nos bastidores parece ser bem diferente e até um pouco cômica.
De acordo com uma apuração do Wall Street Journal, a Disney, um dos maiores nomes do entretenimento mundial, está enfrentando sérios obstáculos para integrar IA às suas produções.
A gigante chegou a criar uma unidade de negócios dedicada exclusivamente à tecnologia, mas esbarrou em questões jurídicas, resistência de sindicatos e até em incoerências internas.
O resultado: projetos arquivados, contratos desfeitos e uma reputação que pode ter saído um pouco arranhada nessa aventura tecnológica.
A tentativa frustrada de clonar “The Rock” com IA
Um dos casos mais notórios envolve o ator Dwayne “The Rock” Johnson. Para o remake live-action de “Moana”, a Disney queria usar IA para aplicar o rosto do ator em cenas gravadas com seu primo, Tanoai Reed, que tem estrutura física semelhante.
Johnson até aprovou a ideia, mas os advogados da empresa travaram: como proteger os dados do ator? Quem seria o verdadeiro dono daquela imagem gerada por IA?
Em um estúdio conhecido por zelar com unhas e dentes por seus personagens e marcas, essas dúvidas sobre propriedade intelectual são um pesadelo.
Mesmo após 18 meses de negociações com a empresa de IA Metaphysic, o projeto não avançou. O conteúdo foi descartado e não aparecerá no filme que chega aos cinemas no próximo verão.
A cena de “Tron: Ares” que nunca existiu
Outro exemplo envolve a próxima sequência de “Tron”, batizada de Tron: Ares. Segundo fontes internas, os executivos propuseram uma cena onde o personagem Bit, um pequeno assistente digital, seria criado por IA em tempo real na tela, com voz humana.
Apesar da ideia futurista, o plano foi abandonado por um motivo muito mais pragmático: a Disney estava em plena negociação com os sindicatos de roteiristas e atores.
Nesse cenário, qualquer deslize poderia gerar uma crise pública. Não era o momento ideal para se envolver em experimentos secretos com IA enquanto os próprios profissionais da indústria protestavam contra seu uso indiscriminado.
Usar IA e processar quem usa: a contradição da Disney
E como se já não bastasse o caos interno, a Disney ainda precisa lidar com a ironia de estar processando quem tenta fazer exatamente o que ela mesma está explorando.
Em junho, a empresa se uniu à Universal Studios para processar a startup Midjourney, acusando-a de usar imagens protegidas por direitos autorais para treinar seu gerador de imagens com IA.
No processo, a Disney chamou a empresa de “parasita do direito autoral” e “buraco sem fundo de plágio”.
Essa dualidade expõe o dilema central: como a Disney pode usar IA para inovar, sem pisar nos próprios princípios e sem destruir os laços com os profissionais que ainda precisa para produzir magia?
De acordo com Horacio Gutierrez, chefe jurídico da empresa, o objetivo é “permitir que nossos criadores usem as melhores ferramentas de IA disponíveis, sem comprometer o futuro da companhia”.
