DeepSeek R2 sofre atraso após troca de chips Nvidia por Huawei

Renê Fraga
3 min de leitura

🤖 Principais destaques:

  • Autoridades chinesas incentivaram a DeepSeek a substituir GPUs Nvidia por chips Huawei no treinamento do modelo R2.
  • Instabilidade, lentidão e limitações de software atrasaram o lançamento.
  • Escassez de GPUs de ponta e tensões geopolíticas aumentam a pressão sobre empresas de IA na China.

A DeepSeek, conhecida por abalar o mercado de inteligência artificial com seu modelo R1 no início de 2025, está enfrentando um revés significativo no desenvolvimento de seu sucessor, o R2.

Segundo informações do Financial Times, autoridades chinesas “incentivaram” ou, segundo alguns, pressionaram a empresa a abandonar o uso de GPUs da Nvidia e migrar para hardware nacional, no caso, os chips Huawei Ascend.

O objetivo era claro: reduzir a dependência de tecnologia estrangeira e fortalecer a indústria local de semicondutores. Mas a transição não saiu como planejado.

Quando a troca de chips vira um gargalo

O R1 havia sido treinado com impressionantes 2.048 Nvidia H800, a um custo de apenas US$ 5,57 milhões, um valor muito abaixo do que outras gigantes de IA gastam.

Mais tarde, descobriu-se que a DeepSeek tinha acesso a cerca de 50 mil GPUs Hopper, incluindo 10 mil H800, 10 mil H100 e 30 mil HGX H20.

Para o R2, a aposta foi nos chips Huawei. Porém, logo surgiram problemas:

  • Desempenho instável durante o treinamento
  • Velocidade de interconexão inferior
  • Limitações no software CANN, essencial para aproveitar o hardware

A Huawei chegou a enviar engenheiros para os data centers da DeepSeek, mas, até agora, nenhum treinamento completo foi concluído com sucesso usando a plataforma Ascend.

O uso dos chips da Huawei ficou restrito à inferência (execução de modelos já treinados), enquanto o treinamento voltou a ser feito com GPUs Nvidia.

Geopolítica, escassez e atrasos

O R2 estava previsto para maio, mas o impasse atrasou o lançamento, agora esperado para as próximas semanas.

A situação é agravada pela escassez de GPUs de alto desempenho na China, resultado de restrições impostas pelos Estados Unidos.

Recentemente, o governo americano fechou um acordo com Nvidia e AMD: as empresas devem repassar 15% das vendas de chips de IA feitas na China em troca de licenças para continuar vendendo no país.

Enquanto isso, a mídia estatal chinesa critica os chips Nvidia H20, chamando-os de “inseguros, ultrapassados e prejudiciais ao meio ambiente”.

Reguladores chegaram a convocar a Nvidia para discutir supostas ameaças à segurança nacional, mas a empresa negou qualquer presença de backdoors ou spyware.

O caso da DeepSeek é apenas um exemplo de uma tendência maior: o esforço de Pequim para reduzir a dependência de tecnologia estrangeira, mesmo que isso signifique enfrentar atrasos e desafios técnicos no curto prazo.

Seguir:
Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
Nenhum comentário