🤖 Principais destaques:
- Autoridades chinesas incentivaram a DeepSeek a substituir GPUs Nvidia por chips Huawei no treinamento do modelo R2.
- Instabilidade, lentidão e limitações de software atrasaram o lançamento.
- Escassez de GPUs de ponta e tensões geopolíticas aumentam a pressão sobre empresas de IA na China.
A DeepSeek, conhecida por abalar o mercado de inteligência artificial com seu modelo R1 no início de 2025, está enfrentando um revés significativo no desenvolvimento de seu sucessor, o R2.
Segundo informações do Financial Times, autoridades chinesas “incentivaram” ou, segundo alguns, pressionaram a empresa a abandonar o uso de GPUs da Nvidia e migrar para hardware nacional, no caso, os chips Huawei Ascend.
O objetivo era claro: reduzir a dependência de tecnologia estrangeira e fortalecer a indústria local de semicondutores. Mas a transição não saiu como planejado.
Quando a troca de chips vira um gargalo
O R1 havia sido treinado com impressionantes 2.048 Nvidia H800, a um custo de apenas US$ 5,57 milhões, um valor muito abaixo do que outras gigantes de IA gastam.
Mais tarde, descobriu-se que a DeepSeek tinha acesso a cerca de 50 mil GPUs Hopper, incluindo 10 mil H800, 10 mil H100 e 30 mil HGX H20.
Para o R2, a aposta foi nos chips Huawei. Porém, logo surgiram problemas:
- Desempenho instável durante o treinamento
- Velocidade de interconexão inferior
- Limitações no software CANN, essencial para aproveitar o hardware
A Huawei chegou a enviar engenheiros para os data centers da DeepSeek, mas, até agora, nenhum treinamento completo foi concluído com sucesso usando a plataforma Ascend.
O uso dos chips da Huawei ficou restrito à inferência (execução de modelos já treinados), enquanto o treinamento voltou a ser feito com GPUs Nvidia.
Geopolítica, escassez e atrasos
O R2 estava previsto para maio, mas o impasse atrasou o lançamento, agora esperado para as próximas semanas.
A situação é agravada pela escassez de GPUs de alto desempenho na China, resultado de restrições impostas pelos Estados Unidos.
Recentemente, o governo americano fechou um acordo com Nvidia e AMD: as empresas devem repassar 15% das vendas de chips de IA feitas na China em troca de licenças para continuar vendendo no país.
Enquanto isso, a mídia estatal chinesa critica os chips Nvidia H20, chamando-os de “inseguros, ultrapassados e prejudiciais ao meio ambiente”.
Reguladores chegaram a convocar a Nvidia para discutir supostas ameaças à segurança nacional, mas a empresa negou qualquer presença de backdoors ou spyware.
O caso da DeepSeek é apenas um exemplo de uma tendência maior: o esforço de Pequim para reduzir a dependência de tecnologia estrangeira, mesmo que isso signifique enfrentar atrasos e desafios técnicos no curto prazo.
