Principais destaques:
- A chinesa DeepSeek planeja lançar o modelo V4 em fevereiro, com foco em programação avançada
- Testes internos indicam desempenho superior a rivais como Anthropic e OpenAI em tarefas de código
- Adoção cresce em países em desenvolvimento, enquanto governos ocidentais intensificam o escrutínio de segurança
A DeepSeek, startup chinesa de inteligência artificial, se prepara para um novo capítulo de sua estratégia global.
Segundo reportagem do The Information, a empresa planeja lançar em meados de fevereiro seu modelo de próxima geração, batizado de V4, com ambições claras de liderar o mercado de IA voltada para programação.
Testes internos conduzidos por engenheiros da própria empresa indicam que o V4 pode superar modelos consagrados em tarefas complexas de codificação, especialmente em cenários que exigem compreensão de prompts extremamente longos.
Esse avanço pode representar uma vantagem relevante para desenvolvedores envolvidos em projetos de software de grande escala.
V4 mira programadores e projetos complexos
O novo modelo é uma evolução direta do V3, lançado em dezembro de 2024, e promete ganhos significativos em raciocínio lógico e leitura de grandes volumes de código.
De acordo com fontes ouvidas pelo The Information, a DeepSeek acredita que o V4 será particularmente competitivo em ambientes profissionais, onde eficiência e contexto são decisivos.
Essa estratégia reforça a posição da empresa em um nicho altamente disputado, dominado até agora por soluções desenvolvidas nos Estados Unidos. A proposta de alto desempenho combinada com acesso mais flexível tem atraído atenção fora dos mercados tradicionais.
Crescimento acelerado em países em desenvolvimento
Um relatório recente do AI for Good Lab da Microsoft mostra que o DeepSeek ganhou tração significativa em países em desenvolvimento. O modelo gratuito e de código aberto reduziu barreiras de entrada em regiões sensíveis a preço e com acesso limitado a tecnologias estrangeiras.
Segundo o levantamento, a adoção global de ferramentas de IA generativa alcançou 16,3% da população mundial até dezembro. Na China, o DeepSeek já concentra cerca de 89% de participação de mercado, além de presença expressiva em países como Belarus, Cuba, Rússia e diversas nações africanas.
Segurança e política limitam expansão no Ocidente
Apesar do avanço global, a empresa enfrenta resistência em mercados ocidentais. Austrália, Coreia do Sul, Taiwan e Itália restringiram ou proibiram o uso do DeepSeek em dispositivos governamentais, citando preocupações com segurança nacional e armazenamento de dados na China.
Especialistas do AI for Good Lab observam ainda diferenças no comportamento do modelo em temas políticos, alinhadas às regras de acesso à internet chinesas. Esse fator, somado às tensões geopolíticas, ajuda a explicar a adoção mais lenta na América do Norte e na Europa.
A Reuters informou que não conseguiu confirmar de forma independente o cronograma de lançamento do V4, e a DeepSeek não comentou oficialmente o assunto até o momento.







