Principais destaques:
- Pesquisador da DeepSeek alerta que a IA pode substituir a maioria dos empregos dentro de 20 anos.
- A empresa chinesa, símbolo da revolução em IA de baixo custo, mantém postura cautelosa sobre os impactos sociais da tecnologia.
- O governo chinês impulsiona a DeepSeek como peça-chave no ecossistema nacional de IA e na independência tecnológica do país.
Quase um ano depois de surpreender o mundo da tecnologia com um modelo de inteligência artificial de custo reduzido e desempenho notável, a chinesa DeepSeek voltou aos holofotes — desta vez com uma mensagem bem diferente.
Durante a Conferência Mundial da Internet em Wuzhen, o pesquisador sênior Chen Deli fez um alerta contundente: o avanço acelerado da IA pode eliminar a maior parte dos empregos humanos em um horizonte de 10 a 20 anos.
Enquanto muitos celebram a revolução da inteligência artificial, Chen trouxe uma visão mais sóbria, defendendo que as empresas de tecnologia precisam agir não apenas como inovadoras, mas também como guardas da transição social que essa revolução desencadeará.
De avanço tecnológico a símbolo nacional
Em janeiro de 2025, a DeepSeek chamou atenção global com o lançamento do modelo R1, uma IA capaz de competir com sistemas da OpenAI e da Meta, mas desenvolvida com um orçamento cerca de dez vezes menor, apenas US$ 5,6 milhões.
O feito foi tão impressionante que causou turbulência nos mercados: as ações da Nvidia despencaram, refletindo o medo de que a era dos investimentos bilionários em IA estivesse com os dias contados.
Após o sucesso, porém, a empresa adotou um silêncio estratégico. Seu fundador, Liang Wenfeng, apareceu publicamente apenas uma vez, ao lado do presidente Xi Jinping, em um evento televisionado em fevereiro.
Desde então, a DeepSeek se tornou mais do que uma empresa inovadora, virou um símbolo do avanço tecnológico chinês e da capacidade do país de prosperar mesmo diante das sanções impostas pelos Estados Unidos.
Construindo o ecossistema de IA da China
Mesmo mantendo um perfil discreto, a DeepSeek segue expandindo seu impacto. Em setembro, anunciou o modelo V3, otimizado para rodar em chips totalmente fabricados na China.
Essa nova geração de IA não apenas ampliou o desempenho do sistema, mas também reforçou a política nacional de autossuficiência tecnológica.
Os modelos mais recentes da empresa, como o V3.2, chegam ao mercado já adaptados aos chips Ascend da Huawei e à plataforma CANN, fortalecendo o elo entre software e hardware locais.
Esse esforço conjunto faz parte do plano do governo chinês de destinar seus data centers estatais exclusivamente a chips de IA domésticos, uma clara sinalização de que a DeepSeek está no centro da estratégia digital da China.
Um futuro entre esperança e incerteza
O discurso de Chen Deli em Wuzhen ecoa uma tensão que se torna cada vez mais presente no mundo: o equilíbrio entre inovação e responsabilidade social.
Enquanto a DeepSeek avança como um dos pilares da soberania tecnológica da China, a mensagem de seu pesquisador lança uma reflexão profunda, quem cuidará das pessoas em um mundo movido por inteligências artificiais?
A resposta, como Chen indica, pode depender menos da tecnologia em si e mais de como nós, humanos, escolhemos lidar com o poder que criamos.
