Crise interna na OpenAI: Altman pausa projetos para enfrentar avanço do Google

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • Sam Altman, CEO da OpenAI, declarou “código vermelho” diante da crescente ameaça do Google e seus avanços em IA.
  • O novo modelo Gemini 3, do Google, superou o ChatGPT em múltiplos testes e está ganhando espaço entre os usuários.
  • A OpenAI enfrenta pressões financeiras e pausa planos de publicidade para concentrar esforços em aprimorar o ChatGPT.

O alerta vermelho de Sam Altman

Um e-mail interno vazado para o The Information revelou: Sam Altman declarou “código vermelho” dentro da OpenAI.

A mensagem, enviada na última segunda-feira, mobiliza toda a empresa para concentrar esforços em melhorar o ChatGPT, deixando de lado outras frentes, como a exploração de anúncios e a expansão de novos produtos.

O motivo é claro: o Google Gemini 3, lançado em novembro, está conquistando terreno rapidamente.

O modelo alcançou um recorde histórico de 1.501 pontos no ranking LMArena, tornando-se o primeiro a ultrapassar a marca de 1.500. Além disso, sua versão Deep Think obteve 45,1% de acerto no difícil teste de raciocínio ARC-AGI-2, enquanto o GPT-5.1 ficou em 17,6%.

Esses números acenderam o sinal de alerta dentro da OpenAI, que vê o avanço da concorrência como uma ameaça direta ao seu domínio no setor de IA generativa.


Pressão financeira e competição acirrada

Além da disputa tecnológica, a OpenAI enfrenta pressões financeiras crescentes.

De acordo com fontes próximas, a empresa gerou cerca de US$ 4,3 bilhões em receita apenas no primeiro semestre de 2025, mas amargou um prejuízo líquido de US$ 13,5 bilhões no mesmo período.

A companhia também tem mais de US$ 1,4 trilhão em compromissos de aquisição pelos próximos oito anos e depende de parceiros que já assumiram US$ 96 bilhões em dívidas para sustentar a imensa infraestrutura de nuvem necessária para operar seus modelos.

Mesmo com tudo isso, o ChatGPT ainda lidera o mercado, com cerca de 800 milhões de usuários semanais ativos em setembro de 2025, dominando 75% do setor de chatbots de IA generativa.

Ainda assim, um detalhe preocupa: dados recentes da Similarweb mostram que os usuários passam mais tempo no Gemini do que no ChatGPT, um sinal de mudança no comportamento dos consumidores e no equilíbrio de poder.


Planos de publicidade colocados em pausa

Um dos projetos que ficarão em espera são os planos de monetização via anúncios.

Embora a OpenAI nunca tenha falado publicamente sobre isso, o The Information revelou que a empresa testava formatos publicitários experimentais, incluindo anúncios de busca e até carrosséis promocionais integrados à interface do ChatGPT.

Referências a esses recursos foram encontradas em versões beta do aplicativo para Android, sugerindo que o ChatGPT estava sendo preparado para se tornar também uma plataforma de e-commerce.
Recentemente, a OpenAI havia anunciado integrações com grandes varejistas, como Walmart e Target, permitindo que usuários comprassem produtos diretamente pelo chat.

Agora, com o código vermelho em vigor, todas essas iniciativas ficam temporariamente congeladas — o foco absoluto será fortalecer o núcleo do ChatGPT, enfrentar o avanço do Google e preservar a liderança da OpenAI em um cenário que nunca esteve tão competitivo.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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