Como as pessoas estão usando o ChatGPT: estudo revela impacto no trabalho e na vida pessoal

Renê Fraga
5 min de leitura

Principais destaques:

  • O uso do ChatGPT deixou de ser restrito a nichos e alcançou um público muito mais diverso, reduzindo diferenças de gênero e ampliando sua presença global.
  • A maioria das interações está ligada a tarefas cotidianas, como escrever, buscar informações e receber orientação prática — consolidando o IA como um verdadeiro “conselheiro digital”.
  • O impacto econômico já é visível: o ChatGPT não só aumenta a produtividade no trabalho, mas também cria valor em situações do dia a dia que antes não eram captadas por métricas tradicionais.

O maior estudo já feito sobre o uso do ChatGPT

Um levantamento inédito conduzido pela equipe de Pesquisa Econômica da OpenAI, em colaboração com o economista de Harvard David Deming, revelou um retrato profundo de como milhões de pessoas utilizam o ChatGPT.

O estudo, publicado pelo National Bureau of Economic Research (NBER), analisou de maneira segura e preservando a privacidade mais de 1,5 milhão de conversas.

O resultado: uma visão sem precedentes sobre a adoção global da tecnologia que já soma 700 milhões de usuários semanais ativos. É a pesquisa mais abrangente já realizada sobre uso real de inteligência artificial por consumidores.


Quem está usando e por quê

A primeira grande constatação é que a IA está se tornando cada vez mais democrática e acessível.

Diferenças que existiam no início, como a predominância masculina entre os usuários, estão desaparecendo rapidamente.

Em 2024, apenas 37% das pessoas usuárias tinham nomes associados ao gênero feminino. Já em meados de 2025, esse número subiu para 52%, um marco de adoção equilibrada.

O alcance também se expandiu de forma notável nas regiões de baixa e média renda. Em maio de 2025, a taxa de crescimento nesses países foi quatro vezes maior do que nas nações mais ricas, um reflexo de como ferramentas acessíveis de IA podem reduzir desigualdades de oportunidades no mundo.


O que mais fazemos com o ChatGPT

Os dados revelam que boa parte das interações com o ChatGPT está conectada a tarefas cotidianas, especialmente:

  • Escrita e redação: seja para trabalho, estudos ou comunicações pessoais.
  • Busca de informações práticas e confiáveis.
  • Orientações e conselhos sobre como agir em diferentes situações.

De forma interessante, os pesquisadores categorizaram os usos em três pilares:

  • Asking (Perguntar): 49% das mensagens refletem o papel do ChatGPT como orientador, onde as pessoas buscam dicas, explicações e julgamento crítico.
  • Doing (Fazer): 40% dos usos envolvem execução prática de tarefas como planejar, programar e criar textos.
  • Expressing (Expressar-se): 11% dos casos trazem reflexões pessoais, criatividade e brincadeiras — explorando a IA como espaço de autoexpressão.

Esse equilíbrio mostra que o ChatGPT deixou de ser apenas uma ferramenta de produtividade e assumiu também o papel de companheiro digital.


Como esses usos estão evoluindo

Outro ponto central do estudo é que o valor criado pela IA vai além do ambiente de trabalho. Hoje, cerca de 30% do uso é profissional, enquanto 70% é pessoal — e ambos seguem crescendo lado a lado.

De um lado, o ChatGPT é um impulsionador de produtividade, melhorando tomada de decisão em áreas complexas e economizando tempo em tarefas repetitivas. De outro, é um gerador de valor invisível, ao apoiar pessoas em reflexões, aprendizados e atividades que não aparecem nas estatísticas tradicionais do PIB.

Esse aprofundamento do uso acontece porque, à medida que os modelos evoluem, os usuários encontram novas aplicações cotidianas e expandem sua confiança na tecnologia.


🔍 Um olhar para o futuro

Este estudo marca um divisor de águas: pela primeira vez temos um retrato estatístico sólido de como as pessoas realmente estão incorporando a IA no dia a dia.

Mais do que números, os dados mostram que não se trata de uma moda passageira, mas de uma nova camada essencial da vida digital e econômica global.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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