Cientistas criam rede social só com IAs e descobrem que até as máquinas brigam

Renê Fraga
2 min de leitura

🤖 Destaques principais:

  • Pesquisadores criaram uma rede social habitada apenas por inteligências artificiais — e o resultado foi preocupante.
  • Mesmo sem algoritmos de recomendação, a polarização e os conflitos emergiram naturalmente.
  • As tentativas de corrigir o problema trouxeram apenas melhorias modestas — e, em alguns casos, pioraram a situação.

Um grupo de cientistas decidiu realizar um experimento ousado: construir uma rede social onde todos os usuários eram inteligências artificiais.

A ideia era simples, mas poderosa: entender se os problemas que vemos em plataformas como X (antigo Twitter) e Facebook, como polarização, discursos extremos e bolhas de opinião, surgem apenas por causa dos algoritmos de recomendação ou se estão enraizados em algo mais profundo.

O resultado? Mesmo em um ambiente controlado, sem humanos e sem algoritmos de engajamento, as IAs rapidamente começaram a reproduzir os mesmos padrões de comportamento tóxicos que vemos no mundo real.

Tentativas de consertar o problema

Para evitar que a rede se transformasse em um grande “eco digital”, os pesquisadores testaram várias estratégias:

  • organizar o feed em ordem cronológica,
  • dar mais visibilidade a pontos de vista diferentes,
  • esconder informações como número de seguidores,
  • e até remover descrições de perfis.

Essas medidas trouxeram pequenos avanços, mas nada que resolvesse o problema de forma consistente.

Pior: em alguns casos, as mudanças criaram novos efeitos colaterais, como aumentar ainda mais a desigualdade de atenção entre os usuários artificiais.

O que isso significa para o futuro das redes sociais?

A conclusão dos cientistas é dura: os problemas das redes sociais não estão apenas nos algoritmos, mas na própria estrutura dessas plataformas.

Mesmo em um ambiente mínimo, com apenas postagens, republicações e seguidores, a polarização e a desigualdade emergiram de forma espontânea.

O que sugere que qualquer reforma significativa exigiria um redesenho radical do conceito de rede social, e não apenas ajustes superficiais.

Em outras palavras, talvez o problema não seja apenas “como” usamos as redes, mas “o que” elas são em sua essência.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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