✨ Principais destaques:
- Nova abordagem: Pesquisadores alemães criaram uma IA capaz de enxergar relações evolutivas entre espécies, algo que antes confundia os algoritmos.
- Base no “quebra-cabeça” da vida: O sistema utiliza árvores filogenéticas como conhecimento prévio, ajudando a organizar padrões biológicos complexos.
- Aplicações promissoras: A técnica pode ser usada não só em sequências de DNA, mas também em imagens e estruturas de biomoléculas.
A inteligência artificial já nos ultrapassa em muitas tarefas de reconhecimento de padrões. Mas quando o assunto é evolução biológica, até agora ela tropeçava.
O que está mudando graças a um grupo de cientistas da Universidade Ruhr, em Bochum (Alemanha), liderado pelo professor Axel Mosig.
Eles criaram uma rede neural capaz de interpretar dados biológicos à luz da evolução, algo comparável a dar às máquinas um novo par de óculos, ajustados para enxergar a longa história da vida na Terra.
O desafio: padrões aleatórios que confundem a IA
Tradicionalmente, algoritmos de IA se perdem em meio ao “ruído” dos dados biológicos.
Sequências de DNA, por exemplo, contêm muitas variações aleatórias que não refletem de fato relações evolutivas. Como destaca Mosig, as máquinas “não sabem o que procurar” e acabam identificando padrões irrelevantes.
A solução encontrada pelos pesquisadores em Bochum foi inteligente: alimentar a IA com informações prévias sobre árvores filogenéticas, representações que mostram quem está mais próximo ou mais distante na história da evolução.
Quebra-cabeça evolutivo: a lógica dos quartetos
O método funciona de maneira engenhosa: as espécies são analisadas em grupos de quatro.
Para cada quarteto, a IA tenta organizar corretamente a árvore genealógica. Quando todos os quartetos são montados, forma-se um grande quebra-cabeça que reconstrói a árvore evolutiva como um todo.
Ao aprender com esse processo, a IA consegue identificar padrões que emergiram ao longo do tempo, como certas mutações ou características que apareceram em determinados ramos da árvore da vida.
Muito além do DNA: imagens e moléculas
A grande surpresa é que este método não se limita ao DNA. Ele pode funcionar também com imagens e estruturas de biomoléculas.
Imagine, por exemplo, reconstruir visualmente espécies ancestrais hipotéticas, dando um vislumbre daquilo que pode ter existido antes de nós.
Essa perspectiva abre um campo fascinante: usar a IA para conectar genética, formas visuais e até estruturas físicas em um único fio narrativo evolutivo.
💡 Com essa inovação, não estamos apenas ensinando máquinas a olhar para dados: estamos dando a elas a capacidade de narrar a história da vida de forma integrada, ligando passado e presente em padrões até então invisíveis.
