Cientista desenvolve IA que pode revelar o que seu cachorro está tentando dizer

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • Pesquisador dos Estados Unidos está criando um tradutor de “fala canina” com base em IA.
  • O sistema identifica padrões sonoros e contextuais nos latidos e uivos dos cães.
  • Além de permitir “conversar” com pets, a tecnologia pode detectar sinais precoces de problemas de saúde.

Um tradutor universal para entender o “au au”

Já imaginou conversar com o seu cachorro como quem fala com um amigo? Essa é a meta de um grupo de cientistas da Universidade do Texas em Arlington, liderado pelo pesquisador Kenny Zhu.

Ele e sua equipe estão desenvolvendo uma inteligência artificial capaz de transformar sons de cães, como latidos, choros e uivos, em frases compreensíveis para humanos.

Zhu montou o que afirma ser o maior catálogo do mundo de vídeos e áudios de vocalizações caninas.

Usando técnicas de processamento de linguagem natural (a mesma base das IAs que traduzem línguas humanas, como o Google Translate), o projeto tenta identificar “fonemas” e padrões sonoros com significado.

Em outras palavras, eles querem mapear as menores unidades da “fala” dos cães e traduzi-las em algo semelhante a palavras.


Como a IA aprende o idioma dos cães

Para treinar o sistema, Zhu coletou centenas de horas de vídeos de cães disponíveis online.

A equipe sincronizou áudio e vídeo para analisar sons dentro de contextos específicos, como brincar, pedir comida ou reagir a um estranho. Isso ajuda o algoritmo a entender o que cada vocalização pode significar.

Até agora, os pesquisadores conseguiram transcrever cerca de 50 horas de sons caninos em sílabas e até reconhecer possíveis “palavras”, como “gato”, “coleira” e “gaiola”.

O mais curioso é que o modo de “pronunciar” esses sons muda conforme a raça do animal. Também foi observado que cães mais velhos tendem a emitir latidos mais longos e complexos, o que pode indicar uma evolução na forma de se comunicar.


Conversar com o pet e cuidar melhor dele

Mas o estudo não quer apenas permitir que humanos “batam papo” com seus cachorros.

Zhu acredita que a tecnologia pode ter um impacto real na saúde animal. Com base em mudanças de som e frequência, um futuro aplicativo poderia alertar tutores sobre sintomas de dor, ansiedade ou outras condições.

O pesquisador também estuda vocalizações de gatos e bois, em parceria com universidades americanas. A ideia é que a análise sonora ajude a identificar doenças em rebanhos antes que os sinais físicos apareçam.

Isso já está atraindo o interesse de empresas que desenvolvem coleiras inteligentes e apps de “interpretação” pet com IA, um campo onde o Google, aliás, já possui pesquisas avançadas em identificação de sons ambientais.

Zhu resume a ambição de sua equipe com uma analogia: se conseguimos traduzir instantaneamente línguas humanas com IA, talvez em breve façamos o mesmo para decifrar o que nossos companheiros de quatro patas estão tentando dizer.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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