ChatGPT falha no planejamento de viagens e indica locais fechados e endereços inexistentes

Renê Fraga
3 min de leitura

Principais destaques:

  • Testes em cinco grandes cidades mostraram que o ChatGPT frequentemente sugere locais fechados ou que não existem.
  • Jornalistas precisaram checar manualmente quase todas as recomendações antes de usá-las.
  • Especialistas afirmam que a IA pode ajudar, mas apenas como ponto de partida, nunca como fonte única.

Uma investigação conduzida pela CNN Travel revelou falhas importantes no uso do ChatGPT para planejamento de viagens.

Repórteres testaram a ferramenta em Atlanta, Hong Kong, Nova York, Londres e Bangkok e chegaram à mesma conclusão: apesar da rapidez e do nível de detalhe, os roteiros criados pela IA exigem verificação rigorosa antes de serem seguidos.

O chatbot conseguiu montar itinerários completos em poucos segundos, mas cometeu erros recorrentes, como indicar negócios fechados, endereços falsos e até rotas de transporte impossíveis. Para os jornalistas envolvidos, confiar cegamente nessas sugestões pode levar a frustrações durante a viagem.

Recomendações que não existem mais

Em Londres, a IA indicou restaurantes encerrados há anos e museus que já mudaram de endereço ou fecharam as portas. Em alguns casos, sugeriu pubs e estabelecimentos que simplesmente nunca existiram.

Esses erros mostram como a ferramenta pode se apoiar em informações desatualizadas ou imprecisas, especialmente em cidades com constante renovação de serviços.

O problema não se limita à capital britânica. Segundo estudos citados na reportagem, a maioria dos roteiros de viagem gerados por IA contém ao menos um erro relevante, incluindo atrações fora do horário de funcionamento ou permanentemente fechadas.

Transporte errado e itinerários impraticáveis

Em Hong Kong, o ChatGPT chegou a recomendar um ônibus para uma ilha acessível apenas por balsa e sugeriu o aeroporto como atração turística. Mesmo após correções feitas pela usuária, a ferramenta teve dificuldade em montar um roteiro coerente que respeitasse as limitações reais de transporte.

Esses deslizes reforçam um padrão já observado em outros testes: a IA é boa em organizar ideias, mas nem sempre compreende a lógica prática do deslocamento urbano ou as particularidades locais.

Um ponto de partida, não o plano final

Apesar das falhas, alguns jornalistas encontraram valor no uso cuidadoso da ferramenta. Em Nova York e Bangkok, ajustes sucessivos nos prompts ajudaram a revelar bairros menos óbvios e alternativas interessantes a pontos turísticos superlotados.

Especialistas em turismo e inteligência artificial recomendam fornecer instruções detalhadas e tratar as respostas como sugestões iniciais.

A própria OpenAI afirma que o ChatGPT deve ser usado como apoio, não como substituto de pesquisas reais ou plataformas especializadas. Mesmo com integrações recentes com serviços como Booking.com e Expedia, questões de confiabilidade ainda persistem.

No fim, a lição é clara: a inteligência artificial pode inspirar, mas o viajante ainda precisa checar cada detalhe antes de arrumar as malas.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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