ChatGPT alcança 800 milhões de usuários semanais enquanto o Google pressiona com o Gemini 3 Pro

Renê Fraga
5 min de leitura

Principais destaques

  • 800 milhões de pessoas usam o ChatGPT toda semana, consolidando um dos maiores marcos na história da tecnologia.
  • O Google entra forte na disputa com o Gemini 3 Pro, que já supera o GPT-5.1 em desempenho técnico.
  • A OpenAI enfrenta desafios técnicos e financeiros, enquanto debate se sua IA caminha realmente rumo à inteligência geral.

Três anos após ser lançado quase silenciosamente, o ChatGPT atingiu uma marca que parecia inalcançável: 800 milhões de usuários semanais.

O número, divulgado por fontes próximas à OpenAI, indica que o chatbot pode ultrapassar 1 bilhão de usuários até o fim de 2025, reafirmando o impacto global das ferramentas de inteligência artificial na vida cotidiana.

Mas o sucesso chega acompanhado de incertezas. Ao mesmo tempo que o ChatGPT quebra recordes de uso, o Google intensifica sua ofensiva com o lançamento do Gemini 3 Pro, reacendendo a disputa pelo domínio da IA generativa.

E por trás dos números, cresce o debate: estamos mais próximos de uma inteligência verdadeiramente autônoma ou apenas refinando máquinas que aprendem a imitar pensamento humano?


A ascensão meteórica e o novo rival de peso

O Gemini 3 Pro, lançado em 18 de novembro de 2025, marcou uma virada estratégica para o Google.

O modelo ultrapassou o GPT-5.1 em testes de benchmark 1324 contra 1220 pontos e recebeu elogios de figuras do setor, como o CEO da Salesforce, que migrou de vez para a tecnologia da Alphabet após três anos fiel ao ChatGPT.

Nos bastidores, Sam Altman teria pedido à equipe da OpenAI que se prepare para “tempos desafiadores”, destacando tanto obstáculos técnicos quanto pressões econômicas. Ainda assim, especialistas reconhecem que o ChatGPT inaugurou um verdadeiro ponto de virada da história da IA.

Segundo Anton Dahbura, do Johns Hopkins Institute for Assured Autonomy, o modelo “deu início a um período revolucionário” em que um terço dos adultos norte-americanos e quase 60% das pessoas com menos de 30 anos já experimentaram conversar com uma IA.

Nenhum outro aplicativo cresceu tão rápido: em poucos meses após seu lançamento, o ChatGPT já contava com 100 milhões de usuários mensais.


As fissuras por trás da revolução

Mas nem tudo são vitórias. Um estudo da Deakin University revelou que o ChatGPT falsifica uma em cada cinco citações acadêmicas, e mais da metade das referências geradas contém erros. Esse tipo de falha, conhecido como alucinação, ainda é um dos maiores desafios da OpenAI.

O próprio Sam Altman reconheceu, em agosto de 2025, que o GPT-5 ainda não atinge o nível de uma inteligência artificial geral (AGI), pois não é capaz de aprender de forma autônoma.

Além disso, a empresa enfrenta pressão financeira crescente: no primeiro semestre de 2025, registrou perdas de US$ 13,5 bilhões, apesar de gerar US$ 4,3 bilhões em receita.

Pesquisas do MIT Media Lab mostram que 95% das empresas não perceberam retorno claro sobre investimentos em IA, e que colaboradores gastam 41% do tempo revisando textos produzidos por algoritmos. Isso levanta uma questão essencial: estamos mais produtivos ou apenas mais dependentes das máquinas?


O futuro em disputa

À medida que Google e OpenAI disputam a liderança da próxima era da tecnologia, cresce a percepção de que a corrida pela “inteligência geral” não será apenas sobre quem tem o modelo mais rápido, mas quem conseguirá criar uma IA que realmente compreenda, raciocine e aprenda como um ser humano.

A cada iteração, a IA redefine limites, fascina o público e desafia seus próprios criadores. No entanto, por trás do brilho dos avanços, há uma indústria tentando equilibrar inovação, sustentabilidade e ética.

O ChatGPT pode ter começado como uma simples prévia de pesquisa, mas hoje se tornou um dos fenômenos culturais e tecnológicos mais poderosos do século, um espelho da nossa curiosidade e, talvez, da nossa busca por algo que nos entenda melhor do que nós mesmos.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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