🧠 Principais destaques:
- ChatGPT Agent agora pode executar tarefas diretamente no seu PC, como navegar na web, criar arquivos e até organizar sua agenda.
- O modelo supera benchmarks anteriores, mostrando avanços significativos em testes de raciocínio e resolução de problemas complexos.
- Apesar do poder, os riscos aumentam, incluindo potenciais usos perigosos em biotecnologia, segurança digital e manipulação de dados.
A OpenAI deu um passo ousado no desenvolvimento de inteligência artificial: o lançamento do ChatGPT Agent, uma evolução do seu modelo mais famoso.
Diferente das versões anteriores, que apenas respondiam perguntas ou geravam textos, essa nova versão vem equipada com um computador virtual integrado e um conjunto de ferramentas que permitem à IA agir no mundo digital em nome do usuário.
O que significa que, além de analisar informações, o ChatGPT Agent pode executar ações práticas: abrir sites, gerar relatórios, criar apresentações, organizar compromissos e até realizar compras online.
É como se o assistente virtual deixasse de ser apenas um “conselheiro” e passasse a ser também um executor de tarefas digitais.
O que muda com o ChatGPT Agent?
Até agora, os modelos de linguagem funcionavam como consultores: respondiam perguntas, sugeriam ideias e ajudavam a organizar informações.
O ChatGPT Agent, no entanto, vai além.Imagine pedir para a IA não apenas listar receitas japonesas, mas também planejar o cardápio para um jantar com amigos, calcular as quantidades exatas de ingredientes e comprá-los online.
Ou ainda, solicitar que ela analise sua agenda, prepare um resumo dos compromissos da semana e monte uma apresentação em slides com os pontos mais importantes.
Essa evolução é possível porque o agente combina três pilares:
- Operator – um navegador virtual que permite explorar a web.
- Deep Research – ferramenta para analisar grandes volumes de dados.
- ChatGPT clássico – responsável pela fluidez da conversa e clareza na apresentação.
O resultado é um sistema que pode navegar, programar, criar arquivos e interagir com ferramentas digitais, sempre sob supervisão humana.
Avanços e limitações
Nos testes internos da OpenAI, o ChatGPT Agent mostrou desempenho impressionante.
No benchmark Humanity’s Last Exam, que avalia a capacidade de responder a perguntas de nível especialista em várias áreas, o novo modelo dobrou a taxa de acerto em relação a versões anteriores.
Em outro teste, o FrontierMath, considerado o mais difícil em matemática, também superou com folga os resultados passados.
Mas nem tudo são flores. O agente ainda apresenta limitações importantes:
- Dificuldade em raciocínio espacial, como planejar rotas físicas.
- Falta de memória persistente, o que significa que não consegue “lembrar” de interações passadas de forma confiável.
- Risco de erros por interpretações equivocadas ou “alucinações” típicas de modelos de IA.
Por isso, especialistas reforçam que, apesar do poder, o ChatGPT Agent não é autônomo.
Ele precisa de supervisão constante e possui mecanismos de segurança, como pedidos de permissão antes de executar certas ações.
O lado sombrio: riscos e preocupações
Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades — e riscos. A própria OpenAI reconhece que o ChatGPT Agent pode ser usado de forma perigosa.
A empresa destacou que o modelo tem “altas capacidades biológicas e químicas”, o que poderia, em mãos erradas, auxiliar na criação de armas químicas ou biológicas.
Esse risco é chamado por especialistas de “caminho de escalada de capacidades”: a IA pode reunir informações de diversas fontes, cruzar dados de diferentes áreas científicas, sugerir soluções como um mentor experiente e até automatizar processos de compra de materiais.
Além disso, o agente pode ser explorado em ataques digitais, como fraudes financeiras, manipulação de dados ou invasões via prompt injection.
E, como alertam pesquisadores, há também riscos sociais: dependência psicológica, amplificação de vieses e problemas legais de responsabilidade.
Para mitigar esses perigos, a OpenAI implementou medidas como treinamento para recusar usos duplos (benéficos ou maliciosos), programas de bug bounty e testes de segurança conduzidos por especialistas em biodefesa.
Ainda assim, avaliações independentes, como a da organização SaferAI, classificaram a política de riscos da empresa como fraca, com apenas 33% de eficácia.
O que esperar daqui para frente?
O ChatGPT Agent marca um divisor de águas: pela primeira vez, um modelo de linguagem da OpenAI não apenas conversa, mas age.
A novidade abre portas para uma nova era de automação digital, onde tarefas repetitivas ou complexas podem ser delegadas a uma IA.
Mas também acende alertas: quanto mais poder damos a esses sistemas, maior a necessidade de responsabilidade, supervisão e regulamentação.
O futuro da inteligência artificial não será apenas sobre o que ela pode fazer, mas sobre como nós, humanos, escolhemos usá-la.
