Principais destaques:
- Líderes de grandes empresas de tecnologia afirmam que IA e robótica podem criar um cenário de abundância sem precedentes.
- Ideias como renda alta universal e riqueza básica universal ganham força, mas ainda geram divergências.
- Especialistas alertam que a transição pode causar desemprego significativo antes de qualquer cenário utópico.
A ideia de que trabalhar pode deixar de ser uma obrigação começa a ganhar espaço entre alguns dos executivos mais influentes do setor de tecnologia.
Com o avanço acelerado da inteligência artificial e da robótica, CEOs defendem que a sociedade caminha para um cenário de abundância extrema, no qual o emprego tradicional deixaria de ser o principal eixo da vida econômica.
Ao mesmo tempo, crescem as dúvidas sobre como distribuir essa riqueza de forma justa e como preservar o propósito humano em um mundo altamente automatizado.
A visão otimista de uma sociedade sem escassez
Entre os mais entusiasmados está Elon Musk, que propôs o conceito de renda alta universal. Para ele, a IA avançada eliminaria a pobreza e tornaria desnecessária a acumulação de dinheiro.
Em entrevistas e postagens recentes, Musk descreveu um futuro no qual todos teriam acesso a bens, serviços e cuidados médicos de alto nível, algo que ele compara a uma versão tecnológica do paraíso.
Essa visão parte da premissa de que sistemas de IA e robôs assumirão praticamente todo o trabalho produtivo, criando riqueza em escala suficiente para sustentar toda a população sem a necessidade de empregos tradicionais.
Menos dias de trabalho e novos modelos econômicos
Já Bill Gates adota um tom um pouco mais pragmático. Ele sugere que, em uma ou duas décadas, as pessoas possam trabalhar apenas dois ou três dias por semana.
Segundo Gates, atividades como produção industrial, logística e agricultura tendem a se tornar problemas amplamente resolvidos pela automação.
Outros líderes corporativos compartilham dessa expectativa de redução da jornada. Executivos do setor financeiro e tecnológico já falam abertamente sobre semanas de trabalho de três ou quatro dias, impulsionadas pelo aumento radical da produtividade via IA.
Cautela, riscos e o impacto no emprego
Nem todos, porém, enxergam um caminho tão direto para esse futuro. Jensen Huang afirma que é difícil prever se modelos como renda básica ou renda alta universal são realmente sustentáveis no longo prazo.
Para ele, a IA deve reduzir a carga de trabalho, mas previsões mais extremas exigem cautela.
O alerta mais duro vem de Dario Amodei, que estima que a IA possa eliminar até metade dos empregos de nível inicial de colarinho branco em poucos anos, elevando o desemprego a patamares inéditos.
Na mesma linha, Sam Altman defende um modelo em que as pessoas sejam donas de parte da infraestrutura de IA, recebendo dividendos, mas reconhece que manter o senso de propósito humano será um dos maiores desafios.
Para Demis Hassabis, o conceito-chave é a “abundância radical”. Ele acredita que a AGI pode levar a humanidade a um nível histórico de prosperidade, desde que a distribuição seja justa, algo que ele vê mais como um problema político do que tecnológico.







