Principais destaques:
- Demis Hassabis prevê que óculos inteligentes se tornarão a principal interface da inteligência artificial.
- O CEO da DeepMind acredita que a inteligência artificial geral pode surgir entre cinco e dez anos.
- Para ele, a revolução da IA será muito mais rápida e profunda do que a Revolução Industrial.
Durante uma série de entrevistas no Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, o CEO da Google DeepMind, Demis Hassabis, apresentou uma visão ambiciosa sobre o futuro da inteligência artificial.
Segundo ele, os smartphones devem perder protagonismo nos próximos anos, dando lugar a óculos inteligentes alimentados por IA, mais naturais e integrados ao cotidiano.
Hassabis, cientista da computação e vencedor do Prêmio Nobel, comparou o atual momento da IA a uma transformação “dez vezes maior e dez vezes mais rápida” do que a Revolução Industrial.
Para ele, a sociedade vive uma aceleração sem precedentes, impulsionada por avanços contínuos em modelos de linguagem, raciocínio e automação.
Óculos inteligentes e a era pós-smartphone
Na avaliação de Hassabis, os smartphones cumprem bem seu papel, mas não foram projetados para experiências avançadas de inteligência artificial.
Ele considera os óculos inteligentes a forma mais promissora de oferecer assistência contínua e sem uso das mãos, em atividades como navegação, culinária, trabalho e acessibilidade.
O executivo relembrou o fracasso do Google Glass, atribuindo o insucesso a limitações de hardware, bateria e à falta de um propósito claro.
Agora, com assistentes avançados como o Gemini, esse cenário pode mudar. O Google já confirmou parcerias com Samsung, Warby Parker e Gentle Monster para lançar óculos com IA a partir de 2026.
AGI pode chegar em até dez anos
Hassabis manteve sua previsão de que há cerca de 50% de chance de a inteligência artificial geral surgir até 2030.
Ainda assim, ele destacou que são necessários avanços relevantes em aprendizado contínuo, memória persistente e raciocínio de longo prazo para que sistemas realmente atinjam esse nível.
Na sua visão, a AGI não será apenas mais poderosa, mas também mais adaptável e capaz de aprender ao longo do tempo, aproximando-se do funcionamento cognitivo humano em múltiplos contextos.
China, competição global e o futuro do Gemini
Ao comentar a corrida global pela liderança em IA, Hassabis afirmou que os modelos chineses estão hoje apenas alguns meses atrás dos principais laboratórios ocidentais.
Mesmo assim, ele classificou como exagerada a reação ao modelo R1 da DeepSeek, ressaltando que grandes inovações, como o Transformer e o AlphaGo, surgiram no Ocidente.
O executivo também destacou que o Google não pretende inserir anúncios no Gemini, diferentemente da OpenAI, que começou a testar conteúdos patrocinados no ChatGPT.
Para Hassabis, a DeepMind funciona como o verdadeiro motor de IA do Google, com impacto direto em produtos usados por bilhões de pessoas no mundo.
