✨ Principais destaques:
- A carta de Melania Trump a Vladimir Putin sobre crianças gerou dúvidas pela falta de emoção e excesso de frases genéricas.
- Especialistas e leitores levantaram a hipótese de que o texto poderia ter sido produzido por uma IA generativa, como o ChatGPT.
- O episódio reacende o debate sobre autenticidade, empatia e o papel da linguagem em momentos de crise humanitária.
Em agosto de 2025, Melania Trump surpreendeu ao enviar uma carta ao presidente russo Vladimir Putin, pedindo atenção ao bem-estar das crianças em meio à guerra.
A iniciativa, que poderia ter sido um gesto diplomático poderoso, acabou chamando atenção por outro motivo: a estranheza do texto.
A carta falava de “sonhos silenciosos no coração de cada criança” e de “um mundo cheio de dignidade para todos”. Palavras bonitas, mas vagas.
Não havia menção direta às vítimas da guerra na Ucrânia, nem dados concretos sobre crianças deslocadas, feridas ou mortas.
O resultado foi um texto que soava distante, quase mecânico e que levantou uma pergunta incômoda: teria sido escrito por uma inteligência artificial?
O teste com IA: coincidência ou inspiração?
Para investigar, o jornalista Jason Kyle Howard fez um experimento. Ele pediu ao ChatGPT que escrevesse uma carta sobre a proteção das crianças.
O resultado foi surpreendentemente parecido com o texto de Melania: frases genéricas sobre “o futuro da próxima geração”, “a inocência que deve ser preservada” e “a esperança que precisa ser nutrida”.
Embora o texto da IA fosse até mais coeso, faltava emoção genuína. Ainda assim, a semelhança reforçou a suspeita de que a carta da ex-primeira-dama poderia ter sido inspirada ou até mesmo redigida por uma ferramenta de geração automática de texto.
Esse episódio expõe um dilema atual: quando a linguagem se torna genérica demais, perde-se a capacidade de tocar corações.
E, em tempos de guerra, a ausência de especificidade pode soar como indiferença.
O que poderia ter sido diferente
O contraste fica ainda mais evidente quando se recorda que Melania cresceu na antiga Iugoslávia, um país marcado por crises econômicas e tensões políticas que culminaram em guerras sangrentas nos anos 1990.
Um texto mais humano teria citado números concretos: mais de 716 crianças mortas desde o início da invasão russa em 2022, 2.000 feridas, 737 mil deslocadas internamente e 1,7 milhão refugiadas, segundo a ONU.
Também poderia ter denunciado os mais de 20 mil menores ucranianos deportados para a Rússia, alguns enviados a campos de reeducação.
Mas, em vez disso, a carta optou por abstrações. E essa escolha não foi apenas literária: foi política.
Ao evitar confrontar Putin diretamente, Melania manteve-se alinhada ao silêncio estratégico de seu marido, Donald Trump, que voltou a adotar um tom amistoso em relação ao líder russo.
O peso da autenticidade em tempos de IA
O episódio mostra como a escrita, seja humana ou artificial, pode revelar muito mais do que aparenta. Uma carta genérica pode até parecer diplomática, mas também pode soar vazia, sem coragem e sem empatia.
Se tivesse sido mais específica, a mensagem de Melania não teria mudado o rumo da guerra, mas poderia ter servido como um chamado moral ao mundo.
Em vez disso, ficou marcada como um texto que poderia ter sido escrito por qualquer um, ou por nenhuma pessoa.
No fim, a questão não é apenas se a carta foi escrita por uma IA, mas se ela foi escrita com humanidade.
