ByteDance adia lançamento global do Seedance 2.0

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • ByteDance adia lançamento global do Seedance 2.0 após pressão jurídica de estúdios de Hollywood
  • MPA, Netflix, Disney e outros acusam modelo de usar obras protegidas sem autorização
  • Empresa promete reforçar filtros contra deepfakes e violações de direitos autorais

A chinesa ByteDance decidiu adiar o lançamento global da API do Seedance 2.0, seu novo gerador de vídeos por inteligência artificial, após enfrentar uma reação coordenada dos principais estúdios de Hollywood e entidades da indústria audiovisual.

O lançamento estava previsto para 24 de fevereiro, mas foi suspenso enquanto a empresa revisa suas políticas de segurança e proteção de direitos autorais.

A decisão ocorre depois de quase duas semanas de pressão crescente, que começou logo após a estreia do modelo, em 12 de fevereiro.

Embora ainda não exista uma nova data confirmada, a empresa afirma que pretende implementar mecanismos mais robustos para impedir o uso indevido de imagens, vozes e personagens protegidos.

Vídeo viral acende o estopim da crise

A polêmica ganhou força poucas horas após o lançamento da ferramenta. O cineasta irlandês Ruairi Robinson publicou na rede X um clipe de 15 segundos criado com o Seedance 2.0. O vídeo mostrava figuras muito semelhantes a Tom Cruise e Brad Pitt brigando no topo de um prédio.

Segundo Robinson, a cena foi gerada a partir de um simples prompt de duas linhas. O vídeo ultrapassou um milhão de visualizações rapidamente e chamou atenção até de Elon Musk, que comentou que a tecnologia estava evoluindo em ritmo acelerado.

O episódio reacendeu um debate sensível sobre deepfakes e o uso da imagem de celebridades sem consentimento, algo que já vinha sendo discutido intensamente em Hollywood.

Hollywood reage de forma coordenada

A resposta da indústria foi imediata. A Motion Picture Association, presidida por Charles Rivkin, enviou uma notificação formal exigindo que a ByteDance interrompesse o que classificou como uso massivo e não autorizado de obras protegidas por direitos autorais.

Estúdios como Netflix, Disney, Paramount Pictures, Warner Bros. Discovery e Sony Pictures também enviaram notificações individuais de cessação e desistência.

A Netflix chegou a descrever o modelo como um mecanismo de pirataria acelerada, enquanto a Disney acusou a ferramenta de tratar personagens de franquias como Star Wars e Marvel Cinematic Universe como se fossem conteúdo de domínio público.

O sindicato SAG-AFTRA também criticou o uso não autorizado de vozes e semelhanças de seus membros, reforçando o coro contra a expansão irrestrita de modelos generativos.

Uma disputa que vai além de um único modelo

O Seedance 2.0 faz parte de uma ofensiva maior da ByteDance no campo da IA generativa. O sistema é multimodal e consegue interpretar texto, imagens, áudio e vídeo para criar clipes cinematográficos curtos com efeitos sonoros sincronizados e diálogos dublados em diferentes idiomas.

Durante o Ano Novo Lunar, a empresa também apresentou o Seedream 5.0 Lite e o Doubao-Seed-2.0, posicionando seus modelos como concorrentes diretos de soluções ocidentais como o OpenAI e o Google no campo da inteligência artificial avançada.

Agora, porém, a empresa enfrenta um desafio que pode definir o futuro da IA generativa no entretenimento. Antes de qualquer lançamento global, a ByteDance afirma que implementará filtros capazes de bloquear a criação não autorizada de imagens e vozes de pessoas reais. Para Hollywood, no entanto, promessas genéricas não são suficientes.

A disputa entre estúdios e empresas de IA marca mais um capítulo na corrida tecnológica que vem redesenhando os limites entre criatividade, propriedade intelectual e inovação.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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