Busca com IA cresce, mas técnicas de SEO ainda sustentam a maior parte do tráfego

Renê Fraga
6 min de leitura

Principais destaques

  • Plataformas de IA ainda representam apenas uma pequena fatia do tráfego orgânico total da maioria dos sites.
  • Ajustes simples de SEO continuam gerando ganhos rápidos e mensuráveis.
  • Experiência do usuário e conteúdo atualizado seguem sendo decisivos para ranqueamento e conversão.

A inteligência artificial está por toda parte. Ela domina debates em eventos, pauta estratégias de marketing e influencia a forma como empresas enxergam o futuro da busca orgânica. Modelos generativos, overviews baseados em IA e novas dinâmicas de descoberta de conteúdo estão, sem dúvida, redesenhando o cenário.

Mas os dados do mundo real contam uma história mais equilibrada. Para a maioria dos sites, a busca tradicional ainda é responsável pela maior parte do tráfego. Mesmo somando todas as plataformas baseadas em grandes modelos de linguagem, o volume de visitas costuma representar apenas cerca de 2% a 3% do que a busca orgânica do Google entrega sozinha.

O problema é que muitas equipes estão correndo atrás do futuro e deixando de lado o presente. Ao priorizar estratégias avançadas de IA, acabam ignorando fundamentos de SEO que continuam funcionando e trazendo resultados imediatos.

Ganhos rápidos de SEO continuam entregando resultados acima da média

Em meio a discussões sobre embeddings vetoriais e clusters semânticos, é fácil esquecer o poder de mudanças simples. Um exemplo clássico são as tags de título, ainda um dos elementos on-page mais influentes para SEO.

Na prática, muitos sites erram nesse ponto. Usam títulos genéricos, deixam de fora variações importantes de palavras-chave ou simplesmente não direcionam o conteúdo para termos estratégicos.

Recentemente, um cliente obteve um salto expressivo apenas ao adicionar uma palavra-chave relevante ao título da página inicial. Nenhuma outra alteração foi feita. Mesmo assim, rankings, impressões e cliques cresceram de forma consistente em poucas semanas.

Quando esse tipo de ajuste é combinado com melhorias de conteúdo, links internos bem distribuídos e um trabalho contínuo de autoridade, o crescimento tende a se manter. São ações básicas, mas que continuam funcionando muito bem.

Atualização de conteúdo e autoridade seguem sendo decisivas

Outra estratégia que perdeu espaço no discurso com a ascensão da IA é a chamada técnica do arranha-céu. A lógica é simples: identificar conteúdos que já ranqueiam bem e criar uma versão mais completa, atualizada e útil para superar os resultados existentes.

É verdade que a internet está saturada de textos sobre temas populares. Ainda assim, quando um site tem autoridade e produz conteúdo mais fresco do que o que já está ranqueando, os resultados aparecem.

Dados recentes do Search Console mostram artigos novos alcançando rapidamente as primeiras posições para temas antigos, justamente porque os concorrentes estavam desatualizados. Mesmo em assuntos amplamente explorados, há espaço para crescer quando a entrega é melhor.

Essa abordagem não funciona para todos os projetos, mas ignorá-la completamente pode significar abrir mão de oportunidades claras e de alto potencial.

Experiência do usuário continua sendo um fator-chave de conversão

O entusiasmo com experiências de compra mediadas por IA levou alguns times a acreditarem que otimização de sites se tornará irrelevante. A ideia de que assistentes inteligentes farão todo o trabalho, sem que o usuário sequer visite um site, ganha força.

Parte desse futuro já começa a surgir, especialmente no comércio eletrônico. Ainda assim, a realidade atual é outra para a maioria dos negócios. Grande parte dos sites não vende produtos diretamente e depende de formulários, conteúdos ou fluxos de conversão tradicionais.

Independentemente da origem do tráfego, seja busca orgânica, mídia paga, acesso direto ou referências de IA, os princípios continuam os mesmos. Sites rápidos, navegação clara e chamadas para ação bem posicionadas fazem diferença.

Testes simples de taxa de cliques e ajustes na experiência do usuário mostram ganhos consistentes. Empresas que seguem investindo nisso tendem a se destacar frente àquelas que aguardam a IA substituir completamente o funil de conversão.

A IA muda a busca, mas o que funciona hoje ainda importa

Não há dúvidas de que a inteligência artificial está transformando a busca. Ela influencia o comportamento dos usuários, altera as páginas de resultados e desafia modelos de atribuição.

O maior risco, porém, não é subestimar a IA, e sim exagerar na correção de rota. A busca orgânica tradicional ainda é a principal fonte de tráfego para a maioria dos sites, e os fundamentos de SEO continuam entregando valor quando bem executados.

Ganhos rápidos seguem existindo, conteúdo de qualidade continua sendo recompensado e a experiência do usuário permanece central. Além disso, fortalecer esses pilares ajuda não só no SEO clássico, mas também na visibilidade em ambientes de IA e no desempenho de mídia paga.

Planejar o futuro é essencial. Fazer isso sem abandonar o que já gera resultados concretos é o caminho mais inteligente.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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