Apple usou Claude nos bastidores, mas escolheu Gemini para reconstruir a Siri

Renê Fraga
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Principais destaques

  • A Apple tentou reconstruir a Siri com o Claude, da Anthropic, mas as negociações fracassaram por custos elevados.
  • Mesmo sem acordo para o consumidor final, a Apple continua usando versões personalizadas do Claude internamente.
  • O Google venceu a disputa com o Gemini, que agora será a base da nova Siri.

Por que a parceria com a Anthropic não avançou

Segundo Mark Gurman, da Bloomberg, a Apple chegou a planejar uma reconstrução completa da Siri em torno do Claude.

O plano esbarrou em uma exigência financeira considerada excessiva. A Anthropic teria pedido vários bilhões de dólares por ano, com valores que dobrariam anualmente por três anos.

A posição negocial da Anthropic era confortável. Com investidores de peso e forte demanda por seus modelos, a empresa não precisava ceder.

Testes internos da Apple indicavam que o Claude era o modelo mais adequado para suas necessidades naquele momento, o que reduziu ainda mais o poder de barganha da fabricante do iPhone.

O uso do Claude continua dentro da Apple

Apesar do acordo não ter avançado para o produto final, a relação entre Apple e Anthropic não terminou.

A empresa de Cupertino segue usando versões customizadas do Claude em servidores próprios para desenvolvimento de produtos e ferramentas internas.

Isso mostra uma estratégia híbrida. A Apple separa o que vai para o consumidor do que acelera seus processos internos. Em paralelo, também utiliza soluções da OpenAI em recursos específicos do Apple Intelligence, reforçando a ideia de um ecossistema de IA plural.

Como o Gemini virou a base da nova Siri

A virada a favor do Google aconteceu após o lançamento do Gemini 3, que se destacou em benchmarks no fim de 2025. Com desempenho competitivo e um custo anual estimado em cerca de 1 bilhão de dólares, a proposta se mostrou mais sustentável para a Apple.

A parceria foi anunciada oficialmente em janeiro. Durante a teleconferência de resultados, Tim Cook explicou que a tecnologia do Google oferecia a base mais robusta para os modelos de fundação da Apple.

O resultado é uma Siri reformulada, ainda atrasada, mas agora apoiada no Gemini e prevista para chegar em uma atualização futura do sistema.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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