Apple perde US$ 200 bilhões após atrasos na Siri e pressão regulatória nos EUA

Renê Fraga
5 min de leitura

Principais destaques

  • A Apple viu cerca de US$ 200 bilhões evaporarem em valor de mercado após queda de 5% nas ações.
  • A reformulação da Siri com inteligência artificial enfrenta novos atrasos e falhas em testes internos.
  • A Federal Trade Commission enviou carta de advertência questionando práticas do Apple News.

A Apple enfrentou um dos dias mais turbulentos do ano no mercado financeiro.

As ações da companhia recuaram aproximadamente 5%, no pior desempenho diário desde abril, após investidores reagirem a dois fatores sensíveis: atrasos na aguardada nova geração da Siri com inteligência artificial e um alerta formal de reguladores federais sobre a curadoria de conteúdo no Apple News.

A desvalorização eliminou cerca de US$ 200 bilhões em valor de mercado, refletindo preocupações crescentes sobre o ritmo da estratégia de IA da empresa e o ambiente político mais pressionado nos Estados Unidos.

Siri 2.0 encontra obstáculos técnicos

A nova versão da assistente virtual foi apresentada na Worldwide Developers Conference de 2024 como um salto importante na evolução da Siri. A promessa era clara: uma assistente mais contextual, capaz de acessar dados pessoais do usuário e executar tarefas complexas entre aplicativos.

No entanto, segundo informações publicadas pela Bloomberg, testes internos revelaram falhas recorrentes. Em alguns casos, a Siri não compreende corretamente solicitações. Em outros, demora além do esperado para responder.

Parte dos novos recursos, antes prevista para março com o iOS 26.4, agora deve ser distribuída em etapas. Algumas funções podem chegar apenas no iOS 26.5, estimado para maio, enquanto recursos mais avançados podem ficar para o iOS 27, programado para acompanhar a próxima linha de iPhones em setembro.

Entre os recursos mais impactados está a capacidade de acessar informações pessoais com maior profundidade, como localizar automaticamente um conteúdo compartilhado em mensagens antigas e executá-lo sob comando de voz. O controle expandido de ações dentro de aplicativos também sofreu adiamentos.

Parceria com Google e histórico de atrasos

Em janeiro, a Apple anunciou parceria com o Google para integrar modelos de IA Gemini à próxima geração da Siri. Antes disso, a empresa avaliava soluções próprias e alternativas de mercado, incluindo modelos da Anthropic.

Mesmo com o acordo firmado, os desafios técnicos persistem. Executivos já haviam admitido dificuldades com a arquitetura híbrida da IA, que apresentava instabilidades relevantes durante o desenvolvimento.

As mudanças recentes também afetaram a liderança interna. John Giannandrea deixou o comando da área de IA no fim de 2025, sendo substituído por Amar Subramanya, que acumula experiência prévia na própria Apple e no Google.

Pressão política e carta da FTC

Além das questões técnicas, a Apple agora lida com pressão regulatória. A Federal Trade Commission enviou uma carta ao CEO Tim Cook questionando se o Apple News estaria favorecendo determinados veículos de comunicação em detrimento de outros.

O presidente da FTC, Andrew Ferguson, solicitou uma revisão abrangente das práticas de curadoria da plataforma, alertando para possível violação da legislação caso haja distorção na forma como o serviço é apresentado ao público.

O episódio ganhou ainda mais repercussão após o ex-presidente Donald Trump compartilhar críticas ao Apple News em sua rede social.

Analistas mantêm confiança no longo prazo

Apesar da turbulência, parte do mercado segue otimista. Analistas destacam que as expectativas em relação ao Apple Intelligence já estavam moderadas, o que teria limitado o impacto da queda.

Relatórios recentes reforçam que o verdadeiro potencial da empresa está na integração de sua IA ao ecossistema de dispositivos e na expansão da receita de serviços. Para muitos especialistas, o momento atual representa mais um ajuste de cronograma do que uma mudança estrutural na estratégia da companhia.

A Apple, por sua vez, mantém a posição de que os novos recursos da Siri serão lançados ainda este ano, embora evite definir datas específicas.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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