Apple freia Safari com IA e redireciona esforços para transformar a Siri

Renê Fraga
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Principais destaques:

  • A Apple pausou a reformulação do Safari com inteligência artificial para priorizar a nova Siri.
  • A empresa aposta em uma integração profunda da assistente com tecnologia Gemini, fruto da parceria com o Google.
  • A estratégia de IA da Apple passa a girar em torno da Siri como peça central, com lançamento em duas fases até 2026.

A Apple decidiu colocar em espera seus planos mais ambiciosos para reinventar o Safari com recursos avançados de inteligência artificial.

Segundo informações publicadas pela Bloomberg, em reportagem assinada por Mark Gurman, a empresa optou por concentrar suas equipes de engenharia na conclusão da nova geração da Siri, agora baseada na tecnologia Gemini.

A ideia original era transformar o Safari em um navegador moldado para a era da IA, capaz de avaliar a confiabilidade de documentos e cruzar informações de diferentes fontes automaticamente.

O projeto colocaria a Apple em confronto direto com soluções de busca baseadas em IA de empresas como OpenAI e Perplexity, além do próprio ChatGPT. Por ora, esse plano ficou em segundo plano.

Ambições de IA mais concentradas

Outro movimento importante foi a redução do escopo do projeto interno conhecido como “World Knowledge Answers”, que pretendia transformar a Siri em um mecanismo de respostas capaz de competir diretamente com chatbots avançados.

A proposta inicial previa experiências independentes de chatbot em aplicativos como Safari, TV, Saúde, Música e Podcasts.

Após mudanças internas na liderança de IA, a Apple decidiu abandonar essa abordagem fragmentada. A nova estratégia é integrar uma Siri mais poderosa de forma consistente em todo o sistema, evitando múltiplas experiências isoladas.

O trabalho no Safari segue pausado, embora ainda exista margem para retomada antes da WWDC, marcada para junho.

Uma Siri em duas etapas

A evolução da assistente acontecerá em fases bem definidas.

A primeira está prevista para o iOS 26.4 e deve trazer recursos contextuais prometidos desde 2024, como a capacidade de entender o que está sendo exibido na tela do usuário. A Apple prepara uma demonstração dessa tecnologia já para fevereiro.

A segunda fase, conhecida internamente como “Campos”, levará a Siri a um novo patamar.

A assistente se tornará um chatbot conversacional completo, comparável aos modelos mais avançados do mercado, com integração profunda ao iOS, iPadOS e macOS. Essa versão mais robusta é esperada apenas com o iOS 27, no fim de 2026.

Parceria com o Google define o caminho

Em janeiro, Apple e Google anunciaram uma colaboração de longo prazo para que os Modelos de Fundação da Apple sejam construídos sobre a tecnologia Gemini.

Segundo as empresas, essa base permitirá acelerar os recursos da Apple Intelligence e entregar uma Siri mais personalizada ainda este ano.

De acordo com a Apple, a decisão veio após uma avaliação técnica extensa, que apontou a solução do Google como a mais sólida para sustentar seus avanços em IA.

Os adiamentos e a mudança de foco refletem desafios enfrentados pela empresa com recursos de IA generativa e deixam claro que, para a Apple, a Siri é o elemento-chave de toda a sua estratégia no setor.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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