Apple é processada por autores por uso de livros pirateados em treinamento de IA

Renê Fraga
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✨ Principais destaques:

  • Autores acusam a Apple de usar livros protegidos por direitos autorais sem permissão para treinar seus modelos de inteligência artificial.
  • Ação coletiva em andamento: o processo foi aberto na Califórnia e pode se tornar um marco na disputa entre criadores e gigantes da tecnologia.
  • Contexto maior: outras empresas como Microsoft, Meta, OpenAI e Anthropic também enfrentam processos semelhantes, revelando um embate crescente entre inovação e propriedade intelectual.

O que está acontecendo?

A Apple, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, está no centro de uma nova polêmica.

Dois autores norte-americanos, Grady Hendrix e Jennifer Roberson, entraram com uma ação coletiva contra a companhia, alegando que seus livros foram usados sem autorização para treinar modelos de inteligência artificial da empresa, conhecidos como OpenELM.

Segundo a denúncia, a Apple teria recorrido a um conjunto de obras pirateadas para alimentar seus sistemas de IA, sem oferecer qualquer tipo de compensação ou reconhecimento aos escritores.

Para os autores, trata-se de uma apropriação indevida de conteúdo criativo em nome de um projeto que pode gerar bilhões de dólares.


Um problema que vai além da Apple

Esse processo não é um caso isolado. Nos últimos meses, diversas empresas de tecnologia têm sido acusadas de práticas semelhantes.

A startup Anthropic, por exemplo, concordou em pagar US$ 1,5 bilhão para encerrar uma ação coletiva movida por escritores que alegaram uso indevido de suas obras no treinamento do chatbot Claude.

Esse acordo foi considerado o maior já registrado em termos de indenização por violação de direitos autorais na era da IA.

Além disso, Microsoft, Meta e OpenAI também enfrentam processos semelhantes, todos relacionados ao uso de material protegido por copyright em seus modelos de linguagem.

A disputa jurídica está moldando um novo campo de batalha: de um lado, criadores que exigem respeito e compensação; do outro, empresas que defendem a necessidade de grandes volumes de dados para desenvolver sistemas de IA cada vez mais sofisticados.


O impacto para o futuro da IA

O caso contra a Apple pode se tornar um divisor de águas. Se os tribunais decidirem a favor dos autores, isso pode abrir precedentes para milhares de outros escritores, jornalistas e artistas que tiveram suas obras utilizadas sem consentimento.

Por outro lado, se as empresas de tecnologia conseguirem se defender, o debate sobre até onde vai o “uso justo” de dados no treinamento de IA ficará ainda mais intenso.

O que está em jogo não é apenas dinheiro, mas também a forma como a sociedade vai equilibrar inovação tecnológica e proteção da criatividade humana.

No fim, essa disputa mostra que a inteligência artificial não é apenas uma questão de algoritmos e máquinas: é também sobre ética, direitos e o valor do trabalho humano em um mundo cada vez mais digital.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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