Anthropic corta acesso de empresas chinesas à sua IA

Renê Fraga
4 min de leitura

✨ Principais destaques:

  • Primeira grande restrição: Anthropic se torna a primeira empresa americana de IA a bloquear serviços para grupos de capital majoritariamente chinês.
  • Segurança nacional em foco: A decisão busca impedir que tecnologias de ponta sejam usadas em aplicações militares e de inteligência por adversários dos EUA.
  • Impacto global: Empresas como ByteDance, Alibaba e Tencent estão entre as afetadas, e a medida pode redefinir a disputa tecnológica entre EUA e China.

Uma decisão inédita no setor de IA

A Anthropic, criadora do Claude AI e uma das startups mais promissoras do Vale do Silício, anunciou que não venderá mais seus serviços de inteligência artificial para empresas controladas majoritariamente por grupos chineses.

A medida, que já está em vigor, marca a primeira vez que uma companhia americana de IA adota uma política tão restritiva.

Segundo executivos da empresa, a decisão tem como objetivo fechar brechas que permitiam a empresas chinesas acessar tecnologias de ponta que poderiam ser usadas em áreas sensíveis, como defesa e inteligência militar.

Além da China, a restrição também se estende a países considerados adversários dos EUA, como Rússia, Irã e Coreia do Norte.


O pano de fundo: geopolítica e corrida tecnológica

A medida surge em meio a uma crescente preocupação em Washington sobre como a China tem buscado driblar restrições de acesso à tecnologia americana.

Muitas empresas chinesas estariam criando subsidiárias em países como Singapura para obter serviços de IA com menos fiscalização.

Esse movimento é visto como um risco de segurança nacional, já que, por lei, companhias chinesas são obrigadas a compartilhar dados com o governo de Pequim quando solicitado.

O que levanta temores de que avanços em IA desenvolvidos nos EUA possam ser usados para fortalecer capacidades militares chinesas, incluindo desde armas hipersônicas até simulações nucleares.

O caso ganhou ainda mais relevância após a startup chinesa DeepSeek lançar o modelo aberto R1, considerado comparável aos melhores modelos americanos.

Posteriormente, a OpenAI afirmou ter encontrado indícios de que a DeepSeek teria usado indevidamente seus sistemas para treinar o modelo, uma acusação que a empresa chinesa não comentou.


Impactos e o futuro da disputa

Embora a Anthropic reconheça que perderá parte de sua receita — estimada em alguns milhões de dólares — para concorrentes, a empresa afirma que a decisão é necessária para proteger os interesses democráticos e a liderança dos EUA em IA.

O anúncio também acontece logo após a Anthropic levantar US$ 13 bilhões em novos investimentos, alcançando uma avaliação de US$ 170 bilhões.

Desta forma, reforça a posição da empresa como uma das líderes globais no setor, ao lado de OpenAI, Google e Meta.

Enquanto isso, o governo americano continua impondo controles de exportação cada vez mais rígidos para dificultar o acesso da China a chips avançados e softwares de IA.

A disputa tecnológica entre as duas potências não mostra sinais de desaceleração e a decisão da Anthropic pode ser apenas o começo de uma nova fase dessa corrida.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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