Principais destaques:
- Andrew Ng afirma que a inteligência artificial ainda executa apenas parte das tarefas humanas, não empregos inteiros.
- O maior impacto da IA será no aumento da produtividade e na desigualdade entre quem usa e quem não usa a tecnologia.
- Para o pesquisador, aplicações de IA seguem subinvestidas, enquanto a infraestrutura de treinamento exige mais cautela.
Os temores de que a inteligência artificial provoque um desemprego em massa estão sendo amplificados além da realidade atual.
Essa é a avaliação de Andrew Ng, pesquisador e empreendedor de referência no setor, apresentada durante o Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos. Para Ng, a maior parte das funções profissionais continua dependendo fortemente de habilidades humanas, mesmo com os avanços rápidos da IA.
Segundo ele, muitas demissões recentes no setor de tecnologia têm sido atribuídas de forma equivocada à automação inteligente. Na prática, refletem ajustes após contratações excessivas feitas durante a pandemia, quando empresas apostaram que o trabalho digital cresceria indefinidamente.
IA ainda não substitui a maior parte do trabalho humano
Ng defende que o impacto real da inteligência artificial só fica claro quando os empregos são analisados como um conjunto de tarefas, e não como blocos únicos. Na maioria das profissões, a IA consegue realizar apenas cerca de 30% a 40% das atividades, deixando uma parcela significativa que ainda exige julgamento humano, criatividade e contexto.
Esse cenário, segundo ele, afasta a ideia de uma substituição total da força de trabalho. Em vez disso, cria um ambiente onde humanos e sistemas inteligentes passam a atuar lado a lado, redefinindo processos e rotinas.
Produtividade será o grande divisor de águas
O pesquisador destaca que o efeito mais visível da IA será o aumento das diferenças de produtividade. Profissionais que aprendem a usar ferramentas de IA de forma estratégica tendem a entregar mais resultados e ganhar relevância dentro das organizações.
Por outro lado, quem ignora essas tecnologias corre o risco de perder espaço. Na visão de Ng, não será a IA sozinha que substituirá trabalhadores, mas sim pessoas que dominam a IA ocupando o lugar daquelas que não a utilizam.
Aplicações de IA seguem subvalorizadas, diz Ng
Além do debate sobre empregos, Ng também comentou o cenário de investimentos em inteligência artificial. Ele avalia que a chamada camada de aplicações, onde a IA é transformada em soluções práticas para empresas, ainda recebe menos recursos do que deveria e não apresenta sinais de bolha.
A maior cautela, segundo ele, deve estar na infraestrutura de treinamento de modelos, que envolve custos elevados e pode sofrer com excesso de investimento. Ainda assim, Ng se mostrou otimista com a crescente demanda por inferência e com o ambiente competitivo, citando avanços recentes como o Gemini 3, além do espaço aberto para empresas como Anthropic e OpenAI.
Mesmo em um mercado cada vez mais disputado, Ng acredita que a inteligência artificial segue criando valor real e que o desafio central agora é preparar pessoas e organizações para trabalhar em parceria com essas tecnologias.
