Altman e Jony Ive revelam primeiro dispositivo de IA da OpenAI

Renê Fraga
5 min de leitura

Principais destaques:

  • Sam Altman e Jony Ive apresentaram o primeiro protótipo físico da colaboração entre OpenAI e LoveFrom, com foco em reinventar como interagimos com a inteligência artificial.
  • O dispositivo, sem tela e do tamanho de um smartphone, pretende ser uma alternativa calma e intuitiva ao caos dos atuais gadgets.
  • A filosofia de design aposta na simplicidade emocional: um produto que desperta alegria, curiosidade e conexão humana.

Durante o Demo Day da Emerson Collective, em São Francisco, duas das mentes mais influentes da era digital, Sam Altman, CEO da OpenAI, e o designer Jony Ive, criador de ícones como o iPhone e o iMac, revelaram ao público o primeiro vislumbre do seu projeto conjunto: um dispositivo de inteligência artificial sem tela, compacto, minimalista e pensado para o uso cotidiano.

A apresentação, mediada por Laurene Powell Jobs, destacou não apenas inovação tecnológica, mas também um reposicionamento filosófico sobre o papel da IA em nossas vidas.

Altman descreveu o progresso do projeto como “incrivelmente bom” e indicou que o produto pode chegar ao mercado em menos de dois anos.

Este é o primeiro hardware próprio da OpenAI, desde a aquisição da startup io de Jony Ive por US$ 6,5 bilhões, um movimento que sinalizou o desejo de unir o poder da IA com o refinamento do design centrado no ser humano.

In conversation: OpenAI's Sam Altman and LoveFrom's Jony Ive with Laurene Powell Jobs | #ECDemoDay

A beleza da simplicidade: o “teste da lambida” de Ive

A colaboração entre Altman e Ive é marcada por uma filosofia de design incomum, quase poética.

Ive propôs o que ficou conhecido internamente como o “teste da lambida”: o design estaria completo quando o usuário sentisse vontade de tocá-lo, experimentá-lo, quase como uma extensão natural de si mesmo.

Segundo Altman, “um protótipo anterior falhou nesse teste, mas o atual passou com louvor”.
Para Ive, o objetivo é criar “soluções que pareçam quase ingênuas em sua simplicidade”, mas que carregam uma inteligência sofisticada e silenciosa, despertando curiosidade e prazer no uso, sem gerar ansiedade ou intimidação.

Curiosamente, Altman admitiu que inicialmente subestimou essa busca pela alegria e beleza no design. “Eu achava que as pessoas queriam apenas eficiência”, confessou.

“Mas percebi o quanto o encanto desapareceu da tecnologia moderna.” Essa mudança de percepção mostra o equilíbrio entre racionalidade e emoção que o novo produto intenta alcançar.


Um refúgio digital: a alternativa tranquila ao caos dos smartphones

Em um mundo saturado de notificações e telas, Altman descreveu a experiência atual com tecnologia como “andar pela Times Square”, cercado por luzes e distrações incessantes.

O novo dispositivo de IA surge como o oposto desse cenário, uma presença calma, quase meditativa.

“Queremos que usar esse aparelho seja como sentar-se à beira de um lago tranquilo, sentindo paz e claridade”, disse Altman.

O dispositivo será contextualmente ciente do ambiente e da rotina de quem o utiliza, graças a microfones e câmeras integrados.

Ele atuará como um “participante ativo” — um assistente com personalidade própria, proativo, mas de maneira humana e não invasiva.

Descrito como um “terceiro dispositivo essencial”, ao lado do notebook e do smartphone, ele foi projetado para viver em harmonia na rotina: discreto o bastante para ficar no bolso, inteligente o suficiente para ser indispensável.

Altman encerrou com uma reflexão simbólica: “Quando as pessoas virem o produto final, quero que digam: É só isso?”.

Para ele, essa é a verdadeira magia da IA, tornar o complexo invisível. Ive concordou com um sorriso: “Sim, elas dirão isso”.


💡 Eurisko continuará acompanhando os próximos passos dessa parceria que une engenharia, arte e emoção. Afinal, quando inteligência artificial encontra o design humano, não estamos apenas criando tecnologia, estamos redesenhando o futuro da relação entre pessoas e máquinas.

Seguir:
Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
Nenhum comentário