Principais destaques:
- Sam Altman e Jony Ive apresentaram o primeiro protótipo físico da colaboração entre OpenAI e LoveFrom, com foco em reinventar como interagimos com a inteligência artificial.
- O dispositivo, sem tela e do tamanho de um smartphone, pretende ser uma alternativa calma e intuitiva ao caos dos atuais gadgets.
- A filosofia de design aposta na simplicidade emocional: um produto que desperta alegria, curiosidade e conexão humana.
Durante o Demo Day da Emerson Collective, em São Francisco, duas das mentes mais influentes da era digital, Sam Altman, CEO da OpenAI, e o designer Jony Ive, criador de ícones como o iPhone e o iMac, revelaram ao público o primeiro vislumbre do seu projeto conjunto: um dispositivo de inteligência artificial sem tela, compacto, minimalista e pensado para o uso cotidiano.
A apresentação, mediada por Laurene Powell Jobs, destacou não apenas inovação tecnológica, mas também um reposicionamento filosófico sobre o papel da IA em nossas vidas.
Altman descreveu o progresso do projeto como “incrivelmente bom” e indicou que o produto pode chegar ao mercado em menos de dois anos.
Este é o primeiro hardware próprio da OpenAI, desde a aquisição da startup io de Jony Ive por US$ 6,5 bilhões, um movimento que sinalizou o desejo de unir o poder da IA com o refinamento do design centrado no ser humano.
A beleza da simplicidade: o “teste da lambida” de Ive
A colaboração entre Altman e Ive é marcada por uma filosofia de design incomum, quase poética.
Ive propôs o que ficou conhecido internamente como o “teste da lambida”: o design estaria completo quando o usuário sentisse vontade de tocá-lo, experimentá-lo, quase como uma extensão natural de si mesmo.
Segundo Altman, “um protótipo anterior falhou nesse teste, mas o atual passou com louvor”.
Para Ive, o objetivo é criar “soluções que pareçam quase ingênuas em sua simplicidade”, mas que carregam uma inteligência sofisticada e silenciosa, despertando curiosidade e prazer no uso, sem gerar ansiedade ou intimidação.
Curiosamente, Altman admitiu que inicialmente subestimou essa busca pela alegria e beleza no design. “Eu achava que as pessoas queriam apenas eficiência”, confessou.
“Mas percebi o quanto o encanto desapareceu da tecnologia moderna.” Essa mudança de percepção mostra o equilíbrio entre racionalidade e emoção que o novo produto intenta alcançar.
Um refúgio digital: a alternativa tranquila ao caos dos smartphones
Em um mundo saturado de notificações e telas, Altman descreveu a experiência atual com tecnologia como “andar pela Times Square”, cercado por luzes e distrações incessantes.
O novo dispositivo de IA surge como o oposto desse cenário, uma presença calma, quase meditativa.
“Queremos que usar esse aparelho seja como sentar-se à beira de um lago tranquilo, sentindo paz e claridade”, disse Altman.
O dispositivo será contextualmente ciente do ambiente e da rotina de quem o utiliza, graças a microfones e câmeras integrados.
Ele atuará como um “participante ativo” — um assistente com personalidade própria, proativo, mas de maneira humana e não invasiva.
Descrito como um “terceiro dispositivo essencial”, ao lado do notebook e do smartphone, ele foi projetado para viver em harmonia na rotina: discreto o bastante para ficar no bolso, inteligente o suficiente para ser indispensável.
Altman encerrou com uma reflexão simbólica: “Quando as pessoas virem o produto final, quero que digam: É só isso?”.
Para ele, essa é a verdadeira magia da IA, tornar o complexo invisível. Ive concordou com um sorriso: “Sim, elas dirão isso”.
💡 Eurisko continuará acompanhando os próximos passos dessa parceria que une engenharia, arte e emoção. Afinal, quando inteligência artificial encontra o design humano, não estamos apenas criando tecnologia, estamos redesenhando o futuro da relação entre pessoas e máquinas.
