Altman admite falha no GPT-5.2 e diz que OpenAI sacrificou escrita para ganhar inteligência

Renê Fraga
3 min de leitura

Principais destaques:

  • Sam Altman reconhece publicamente que a qualidade de escrita do GPT-5.2 piorou em relação ao GPT-4.5
  • A regressão foi resultado de uma decisão estratégica para priorizar raciocínio, codificação e engenharia
  • A OpenAI promete modelos futuros mais equilibrados, unindo inteligência avançada e boa escrita

O CEO da OpenAI, Sam Altman, fez uma admissão rara e direta ao comentar críticas sobre o GPT-5.2.

Durante uma conversa ao vivo com desenvolvedores, Altman reconheceu que a empresa “fez besteira” ao permitir uma queda perceptível na qualidade da escrita do modelo mais recente.

A declaração veio após questionamentos sobre textos considerados confusos, difíceis de ler e excessivamente mecânicos. Segundo Altman, a crítica é válida e já está no radar da empresa, que pretende corrigir esse desequilíbrio em versões futuras.

A escolha de priorizar inteligência técnica

De acordo com Altman, a piora na escrita não foi acidental. A OpenAI optou conscientemente por concentrar seus recursos em tornar o GPT-5.2 extremamente forte em raciocínio lógico, programação, engenharia e tarefas complexas de múltiplas etapas.

Essa decisão acabou deixando em segundo plano aspectos como fluidez textual, criatividade e estilo narrativo. Em suas palavras, a empresa tem capacidade limitada e, ao focar intensamente em um conjunto de habilidades, acabou negligenciando outro igualmente importante.

O contraste com o GPT-4.5

O reconhecimento chama atenção principalmente quando comparado ao GPT-4.5, lançado com forte ênfase em escrita natural, empatia e criatividade. Na época, a OpenAI destacou o modelo como mais expressivo e emocionalmente inteligente, ideal para textos criativos e design.

Já o GPT-5.2 foi apresentado ao mercado como uma ferramenta voltada ao trabalho profissional intensivo, com foco em produtividade técnica. Esse reposicionamento ajuda a explicar por que muitos usuários sentiram perda de personalidade e originalidade nas respostas.

Reação da comunidade e próximos passos

A frustração não ficou restrita a um pequeno grupo. Usuários e desenvolvedores relataram em fóruns e redes sociais que o GPT-5.2 produz textos excessivamente padronizados, com tom artificial e pouca liberdade criativa. Para muitos, o modelo parece “sobretreinado”, priorizando segurança e correção técnica em detrimento de estilo.

Apesar disso, Altman demonstrou otimismo. Ele afirmou acreditar que o futuro da IA passa por modelos de propósito geral realmente completos, capazes de programar bem e escrever bem ao mesmo tempo. Segundo o CEO, mesmo aplicações técnicas exigem clareza, boa narrativa e comunicação eficiente.

A OpenAI ainda não divulgou um cronograma para melhorias específicas na escrita, mas Altman garantiu que a empresa pretende se destacar em todas essas dimensões nas próximas iterações do GPT-5.x.

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Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.
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