✨ Principais destaques:
- Inovação inédita: Albânia é o primeiro país a nomear um “ministro” virtual, criado por inteligência artificial.
- Combate à corrupção: A IA cuidará de todos os processos de licitação pública, um dos pontos mais vulneráveis à fraude no país.
- Dúvidas e polêmica: Apesar do otimismo do governo, parte da população teme que mesmo a tecnologia não escape à corrupção local.
Um passo ousado rumo à governança digital
A Albânia surpreendeu o mundo ao nomear uma ministra de inteligência artificial para assumir a delicada tarefa de supervisionar os processos de compras públicas do Estado.
A iniciativa, apresentada pelo primeiro-ministro Edi Rama, é vista como uma tentativa histórica de enfrentar décadas de escândalos de corrupção que têm manchado o país e atrasado seu caminho em direção à União Europeia.
A ministra virtual recebeu o nome de Diella, que significa “sol” em albanês. Diferente de qualquer outro membro do gabinete, ela não existe fisicamente.
Diella é um sistema de IA concebido para controlar e atribuir todas as licitações em que o governo contrata empresas privadas — um setor que há anos é associado a práticas ilícitas e lavagem de dinheiro.
Segundo Rama: “Diella é a nossa chance real de garantir que 100% dos processos de compras públicas estejam livres de corrupção.”
A tecnologia por trás de Diella
Essa não é a primeira vez que Diella entra em cena. O sistema foi inicialmente lançado meses antes, dentro da plataforma digital e-Albania, que centraliza serviços públicos online.
Lá, a assistente de IA já desempenhava funções práticas: ajudava cidadãos e empresas a emitir documentos oficiais por meio de comandos de voz, entregando certidões e contratos com validação eletrônica, o que reduzia atrasos burocráticos.
Curiosamente, a personagem digital foi criada com visual inspirado nos trajes tradicionais albaneses, dando um ar culturalmente familiar ao robô. Essa escolha reforça a ideia de proximidade e identidade nacional, mesmo em um ambiente virtual.
Entretanto, o governo ainda não detalhou como será feita a supervisão humana sobre os algoritmos de Diella, nem quais mecanismos de segurança estarão ativos para prevenir manipulações no sistema. Esse silêncio levanta dúvidas em especialistas e críticos.
Otimismo político e ceticismo popular
Para Edi Rama, a aposta é também simbólica: mostrar um país que deseja romper com práticas históricas de corrupção e conquistar a confiança da União Europeia até 2030, meta que muitos analistas consideram ambiciosa.
Na população, contudo, o sentimento é dividido. Nas redes sociais, alguns usuários reagiram com desconfiança:
“Até a Diella vai acabar corrompida na Albânia”, desabafou um internauta. Outro afirmou que o problema não está no sistema, mas nas pessoas: “Os roubos continuarão, só que agora vão culpar a Diella.”
Enquanto isso, o novo parlamento eleito em maio ainda se organiza, e não está claro se o governo conseguirá aprovar oficialmente sua equipe ministerial nos próximos dias, reforçando a incerteza política que acompanha essa decisão inédita.
Se Diella conseguirá inaugurar uma nova era de transparência ou se se tornará apenas mais um capítulo na turbulenta história política da Albânia, o tempo e a tecnologia dirão.
