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    Home»Inteligência Artificial»A internet não vai virar um deserto, mas pode parecer um apocalipse zumbi com a IA
    Inteligência Artificial

    A internet não vai virar um deserto, mas pode parecer um apocalipse zumbi com a IA

    Renê FragaBy Renê Fraga
    apocalipse zumbi ia

    Principais destaques:

    • A explosão de conteúdo gerado por inteligência artificial está mudando radicalmente a forma como usamos e confiamos na internet.
    • O chamado “AI slop”, conteúdo sintético em massa e de baixa qualidade, já afeta criadores, plataformas e a confiança na informação.
    • Agentes de IA e buscas automatizadas podem reduzir o tráfego humano e transformar a web em um espaço cada vez mais voltado para máquinas.

    A inteligência artificial deixou de ser apenas uma curiosidade tecnológica ou uma assistente simpática no celular. Em 2025, ela já interfere diretamente na estrutura da internet, na produção de conteúdo e até na forma como as pessoas buscam informação.

    O resultado é um ambiente digital mais rápido, mais automatizado e, ao mesmo tempo, mais confuso e desconfiado.

    A popularização de grandes modelos de linguagem e ferramentas generativas alimentou teorias como a da “internet morta”, a ideia de que a web estaria sendo dominada por máquinas falando com máquinas.

    Embora isso ainda não seja totalmente realidade, a fronteira entre conteúdo humano e sintético está cada vez mais difícil de identificar.

    A avalanche de conteúdo sintético e o problema do “AI slop”

    Ferramentas como ChatGPT, geradores de imagem e vídeo e sistemas automáticos de postagem facilitaram a criação de textos, imagens e vídeos em escala industrial.

    O problema é que grande parte desse material não existe para informar, mas para capturar atenção, enganar algoritmos e gerar cliques.

    Esse fenômeno ficou conhecido como “AI slop”, um dilúvio de conteúdo artificial que vai de vídeos absurdos em redes sociais até artigos com informações falsas apresentadas como fatos.

    Plataformas como Instagram e YouTube já sentem os efeitos dessa produção em massa, enquanto criadores humanos perdem espaço e renda.

    Casos emblemáticos mostram o impacto direto: a revista Clarkesworld Magazine suspendeu submissões devido ao volume de textos gerados por IA, e até a Wikipedia enfrenta dificuldades para moderar conteúdo sintético.

    Confiança, atenção e o valor do que é humano

    A desconfiança na informação online não é novidade, mas a IA acelerou esse processo. Hoje, imagens realistas, vídeos convincentes e textos bem escritos podem ser totalmente artificiais.

    Isso cria um cenário paradoxal: conteúdos humanos passam a ser vistos como suspeitos, enquanto materiais gerados por máquinas circulam com aparência de legitimidade.

    Especialistas alertam que a economia da atenção amplifica o problema. Conteúdos mais chamativos, mesmo que falsos, tendem a se espalhar mais rápido.

    Para a engenheira e pesquisadora ligada à Singularity University, a IA cria um efeito de sedução constante, em que feeds artificiais se tornam mais atraentes do que interações humanas imperfeitas.

    Nesse contexto, confiança vira um recurso raro e caro. A tendência é que surjam espaços mais fechados, conteúdo pago ou sistemas de verificação que deixem claro quando algo foi produzido por pessoas reais.

    Menos navegação, mais delegação para agentes de IA

    A mudança não acontece só na produção de conteúdo, mas também na forma de consumir informação.

    Buscas tradicionais estão sendo substituídas por resumos automáticos e respostas diretas. O próprio Google Search já prioriza visões gerais geradas por IA antes dos links externos.

    O próximo passo são os agentes de IA. Em vez de pesquisar, comparar e decidir, usuários passam a delegar essas tarefas a sistemas automáticos que leem sites, negociam preços e filtram opiniões. Com isso, menos pessoas acessam páginas diretamente, o que ameaça o modelo de publicidade que sustenta grande parte da web.

    O risco maior é um ciclo fechado: IAs consumindo conteúdo produzido por outras IAs, treinando novos modelos com dados sintéticos e se afastando cada vez mais da realidade humana.

    Um futuro incômodo, mas ainda em aberto

    A internet está, sem dúvida, mudando de forma profunda. Não exatamente para um “cemitério digital”, mas talvez para algo mais inquietante: um espaço cheio de atividade artificial, onde distinguir o que é vivo do que é sintético exige esforço constante.

    Ainda assim, há espaço para reação. Regulamentação, educação midiática e escolhas conscientes dos usuários podem redefinir o valor do conteúdo humano. Em meio ao ruído, cresce a percepção de que qualidade, contexto e autoria importam mais do que nunca.

    No fim, a forma como pessoas, criadores e plataformas respondem a esse excesso de IA vai determinar se a web do futuro será apenas barulhenta ou realmente significativa.

    Renê Fraga
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    Renê Fraga é fundador e editor-chefe do Eurisko, ecossistema editorial independente dedicado à inteligência artificial, código aberto, tecnologia e cultura digital. Atuando com projetos online desde 1996, escreve há mais de 20 anos sobre tecnologia e inovação, acompanhando a evolução da internet e o impacto das novas tecnologias na forma como vivemos, trabalhamos e pensamos.

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